segunda-feira, 10 de abril de 2017

Post 3 de 5 – Doenças curtas, doenças looongas e sequelas: como lidar com elas?

Olá! Agora nós vamos falar sobre os problemas mais comuns que tiram a nossa saúde em alguma época da vida.


Tem doença curtinha, que vai ficar com você por uns dias ou semanas e depois vai embora. TODO MUNDO vai ter pelo menos uma dessas! Quem não se lembra de ter ficado mal por causa de catapora, ou caxumba, ou rubéola, ou dor de dente, ou resfriado ou outra coisa? Elas podem causar sintomas desagradáveis, que nos limita e até nos preocupam, mas que não recair com frequência. Nesses casos, os medicamentos nem sempre tratam as doenças, mas podem diminuir o desconforto enquanto o corpo se recupera.

Tem doença loooonga, que vai te acompanhar muitos anos da sua vida, mesmo que você não queira... Por exemplo: diabetes, pressão alta, insuficiência renal ou cardíaca etc. Mesmo que você as controle bem na maior parte do tempo, quando você resolve relaxar ou afrouxar as rédeas desse controle, elas fazem questão de mandar um sinal para você lembrar que elas continuam do seu lado!

Por fim, tem aquelas coisas mais chatas ainda, chamadas de sequelas, que são as cicatrizes de algumas das doenças que nós tivemos. Mesmo que a doença em si seja curta e que nunca mais volte, ela pode deixar uma lembrança desagradável e inesquecível do tempo que ela esteve com você. Por exemplo: a caxumba dura pouco, mas pode deixar uma surdez ou uma esterilidade como sequelas; zika dura pouco, mas pode deixar problemas definitivos no cérebro ou no fígado.

Os medicamentos são opções muito usadas para tratar doenças curtas, longas ou sequelas. Alguns pacientes se dão muito bem com isso, outros nem tanto. Por isso, esse assunto gera muitas dúvidas. Vamos começar com uma delas: vale a pena tomar medicamento genérico?

Primeiro, vamos entender a relação entre o medicamento genérico e o de referência (ou de marca). Um comprimido de genérico deve ser IDÊNTICO ao comprimido do medicamento referência. Portanto, eles devem conter a MEEESMA quantidade grande de princípio ativo (a parte que melhora a doença) e a MEEESMA quantidade mínima de substâncias tóxicas (sim, elas existem e dão os efeitos colaterais).

Os genéricos também devem ser testados cuidadosamente pelo Ministério da Saúde para serem aprovados e comercializados. Eles precisam “passar na prova” na matéria de bioequivalência, para provarem que apresentam o MESSSSMO efeito dos medicamentos de referência.

A única diferença oficial é que o genérico não tem marca, por isso você pode economizar nessa compra. Foi isso que fez os genéricos ficarem tão populares. Então, teoricamente, deveria ser bem seguro usar os genéricos. MAS... a verdade é que devemos tomar muito cuidado com isso e só escolher laboratórios que são fontes confiáveis de medicamentos genéricos. Você deve conhecer histórias sobre maus resultados, né? Eles realmente acontecem por aí e, por isso, dividem a opinião dos próprios médicos: usar ou não usar genérico, eis a questão! Afinal, normalmente compramos remédio para as pessoas mais queridas da nossa vida!

No próximo post, tem mais bate papo sobre saúde e medicação. Não perca!


#cuidamosdasaúde #vemcomagente #naoaautomedicacao #usocorretoderemedios #quandousarantibiotico #melhorespraticasparaasaude #zumbidonoouvido #blitznoouvido #saudeebemestar #tanitganzsanchez #institutoganzsanchez 

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Post 2 de 5 - Começando a perder a saúde: e agora?


 

Olá! Agora vamos falar sobre a perda da saúde, que é bem representada pelas doenças. Pensa em qualquer doença que você tenha ou que já tenha tido. Seja lá em qual você pensou, tenho certeza que ela pode provocar:


     

a)      alguns - ou até vários - sintomas desagradáveis nas partes do corpo que perderam     a saúde.

b)      algumas - ou até várias - limitações, algo do tipo “eu não posso isso, eu não posso      aquilo”.

c)     alguns - ou até vários - sentimentos ruins, como preocupação de ser grave ou        piorar, receio que os outros saibam e te discriminem, medo do futuro no trabalho,         irritabilidade por não poder fazer tudo o que gostaria, etc
  Acertei? Então, querer melhorar é o caminho mais natural. Na pressa de melhorar logo,   muita gente vai atrás dos medicamentos por achar que a solução vem mais rápido.
  Essa ideia não está totalmente errada, não! MAAAAS... saiba que os medicamentos podem SIM melhorar as doenças e até salvar vidas, mas eles TAMBÉM podem complicar ou tirar uma vida. Por isso, gente, nunca deixe de fazer a coisa certa em relação aos remédios! A sua saúde realmente está em jogo. Agora eu te convido para uma reflexão. Pense comigo! Antes de usar um remédio ou medicação ou medicamento (sim, esses nomes querem dizer a mesma coisa): 
A.      Você deve entender o que aqueles sintomas estão fazendo ali. Por que eles apareceram? Será que você simplesmente foi vítima (por exemplo: caiu algo na sua cabeça enquanto você passava na rua; colocaram entorpecente na sua bebida enquanto você estava distraído) ou será que você fez ou deixou de fazer alguma coisa (por exemplo: fumou/bebeu/comeu mais do que devia, esqueceu de usar preservativo numa relação sexual temporária, preferiu não se agasalhar num dia frio). Todos os sintomas têm motivo, o problema é que às vezes a gente não entende direito - ou faz de conta que não entende - esse motivo.
 B.      Com a ajuda de seu médico de confiança, você vai entender melhor os motivos dos seus sintomas. Isso se chama investigação médica e sempre vem em primeiro lugar. Com raciocínio lógico, o bom médico junta as pistas, descobre o problema e recoloca o paciente no caminho da recuperação da saúde, sempre que possível. Essa é uma das grandes belezas da Medicina. Vocês já repararam que sou apaixonada pelo assunto, né?
 C.      Remédio só deve vir depois dessa investigação inicial. Mesmo que seu médico sugira que você use um remédio para sua doença, veja o que mais VOCÊ pode fazer para não ter recaídas. Por exemplo: se você tem dor de cabeça, poderia ser porque não bebe tanta água durante o dia como deveria e, talvez, começar a beber mais água poderia lhe ajudar a não ter outras dores de cabeça no futuro?; se sua digestão é meio complicada (mais lenta ou acelerada ou com muita azia), poderia ser porque seu estômago ou intestino têm problemas para digerir doces, cafeína, lactose ou gluten e, talvez, você poderia melhorar se deixasse de comer alguns dos seus alimentos preferidos? se você tem dores nas costas com frequência, poderia ser porque costuma sentar ou dormir em posições ruins e, talvez, você poderia melhorar se mudasse essas posições?
 Viu como tem muita coisa bacana para a gente pensar? No próximo post, tem mais bate papo sobre saúde e medicação. Não perca!#cuidamosdasaúde #vemcomagente #naoaautomedicacao #usocorretoderemedios #quandousarantibiotico #melhorespraticasparaasaude #dratanitganzsanchez #zumbidonoouvido #perdadeaudicao #institutoganzsanchez #blitzdoouvido #novembrolaranja



segunda-feira, 20 de março de 2017

Post 1 de 5 - Saúde, nosso diamante mais precioso





Olá! Hoje vamos falar sobre saúde, essa palavrinha simples, que tem um significado mais complexo do que se imagina. 

Para a Organização Mundial da Saúde, o conceito de saúde significa um completo bem estar físico, social, emocional e espiritual – esse é o lado complexo. Teoricamente, precisa estar bem em muita coisa para você ser considerado saudável. Na prática, saúde significa sentir-se bem. 

Para mim, no papel de médica, saúde tem um lado mágico! Podemos fazer coisas simples e maravilhosas com boa saúde. Ex: tomar sorvete (quem tem muita dor de garganta, nem sempre consegue); andar de bicicleta com amigos ou família (quem tem dor nas costas, tontura, doenças neurológicas etc, nem sempre consegue); dormir bem (quem tem insônia, ansiedade, depressão, ronco ou apneia, insuficiência cardíaca/respiratória grave, nem sempre consegue), dar risadas num almoço com pessoas queridas (quem tem problemas de audição, de visão ou de digestão, nem sempre consegue). 

Novamente no papel de médica, saúde tem um lado triste... ela pode ser atacada contra a nossa vontade por agressores como vírus, bactérias, fungos, poluição ambiental, mudanças rápidas de temperatura etc. Mas o pior é que muitas vezes ela também é estragada por nós mesmos!!!

Hã, como assim?? Pois é... quantas vezes nós mesmos não “convidamos” agentes agressores para entrarem no nosso corpo por livre e espontânea vontade? Cigarro, bebidas alcoólicas, todos os tipos de drogas naturais ou sintéticas, o excesso de doces, carboidratos simples, frituras, lactose, gluten, corantes, conservantes, etc? 


Quando a saúde é atacada, nosso BEM estar vai embora e dá lugar ao MAL estar, ao desconforto, ao incômodo com sintomas desagradáveis que aparecem na cabeça, no tórax, no abdômen, nas costas, nos braços e pernas ou na mente. Qualquer sintoma em qualquer lugar do corpo pode tirar seu bem estar físico, social, emocional, sexual e espiritual. Ou seja, a saúde, aquele diamante virou bijuteria, pelo menos temporariamente... 

Os médicos e outros profissionais da saúde lidam com esses dois lados: o triste, que é receber o paciente sem saúde, e o mágico, que é querer ajudar a descobrir o que está acontecendo e a recuperar a saúde e ter nosso diamante mais precioso de volta. 

Tem vários caminhos para recuperar a saúde, sabia? Às vezes ele é curto, às vezes é longo; às vezes ele é plano e liso, às vezes íngreme e esburacado; às vezes, só depende do conhecimento médico, mas às vezes - muitas vezes - depende muito mais do paciente ter força de vontade para mudar hábitos que comprometem o corpo. Aposto que você já pensou logo que o caminho mais fácil, plano, liso e que depende só do médico é tomar uma medicação, né? É o que muita gente pensa, mas vamos ver que nem sempre medicação é o “melhor remédio”. 

No próximo vídeo, tem mais bate papo sobre saúde e medicação. Não perca! 



terça-feira, 3 de maio de 2016

Criança tem zumbido?

Querem saber se criança tem zumbido? Siiiiiiiim! Se vocês nunca viram uma delas, provavelmente vão duvidar... mas vamos aos argumentos:


A) Tive a oportunidade de orientar o doutorado da Dra Cláudia Coelho que, junto com a fono Sandra Weber, testaram 506 crianças de 5 a 12 anos, em escolas públicas ou privadas no interior do Rio Grande do Sul. Sabendo que crianças têm tendência de gerar falsos positivos para agradar os examinadores, nosso questionário tinha 3 critérios de rigor para considerarmos que uma criança da pesquisa tinha zumbido. Ela tinha que: 1) responder SIM para a pergunta "você ouve algum barulhinho nos seus ouvidos quando está tudo em silêncio?"; 2) saber descrever COMO era o som; 3) saber descrever ONDE o ouvia (lado do ouvido ou cabeça). Ficamos surpresas de constatar que 37% dessas 506 crianças tinham a percepção de zumbido (Coelho CCB, Sanchez TG, Tyler R. Tinnitus in children and associated risk factors. Prog Brain Res. 2007;166:179-91).

B) Depois dessa experiência, meu pensamento era "se as crianças têm mais zumbido do que o percentual obtido nas pesquisas de prevalência na população geral - que nem incluem crianças! - então, os adolescentes também devem ter!". Lá fomos nós buscar essa resposta... na pesquisa com 170 adolescentes de 12 a 17 anos, vimos que: 1) usando um questionário como instrumento para saber a resposta à pergunta "você tem ou teve zumbido nos últimos 12 meses?", constatamos que 54,7% deles responderam SIM, além de terem esclarecido como era o som, onde o percebiam (ouvidos ou cabeça) e em que situações ele aparecia; 2) quando colocados dentro da cabina acústica para medir a audição, 28,8% deles também foram capazes de fazer acufenometria (medida da frequência e intensidade do zumbido) porque o estavam percebendo naquele preciso momento! Resumindo: mesmo considerando apenas a taxa de zumbido obtida dentro da cabina (que foi o trunfo desse trabalho), DE NOVO vimos uma prevalência de zumbido muito maior do que a relatada nos estudos com a população geral. Esse trabalho completo até foi dividido em duas publicações: Sanchez TG, Oliveira JC, Kii MA, Freire K, Cota J, Moraes FV. Tinnitus in adolescents: the start of the vulnerability of the auditory pathways. Codas. 2015;27(1):5-12 e Sanchez TG, Moraes FV, Casseb J, Cota J, Freire K, Roberts LE. Tinnitus is associated with reduced sound level tolerance in adolescents with normal audiograms and otoacoustic emissions. Sci Reports, no prelo).

Então, se zumbido é mais comum do que o esperado em crianças e adolescentes, por que eles não chegam aos nossos consultórios? Simples! Ficou claro que eles não têm incômodo e nem contam aos pais - geralmente porque acham que “é normal” ou que “todo mundo tem” ou porque dormem com a TV ligada. Com isso, existe uma habituação/adaptação espontânea ao zumbido nessas faixas etárias, gerando menos repercussão negativa na qualidade de vida (esse é o lado bom da coisa ruim). Por outro lado, deixar de investigar a tratar precocemente são os fatores primordiais para incentivar a cronicidade, tornando uma boa resposta a um eventual tratamento potencialmente mais difícil no futuro.

Para finalizar, faço um convite a vocês: que tal incluir uma perguntinha básica na anamnese de crianças ou adolescentes: “Você ouve algum som nos seus ouvidos/cabeça quando está tudo em silêncio?”. Isso é válido para otorrinos, fonos, pediatras, hebiatras, psicólogos, etc. Eles conseguem ser bem precisos nas respostas e certamente avançaríamos mais nesse tópico intrigante.





quarta-feira, 20 de abril de 2016

Conheça os problemas do ouvido que estão “virando moda”: Hiperacusia, Misofonia e Zumbido

Tão comuns, mas tão pouco conhecidos, que mereceram canais específicos de divulgação e cada vez mais pessoas estão se identificando com eles.
A vida moderna tem mesmo causado alguns problemas mais sutis nos ouvidos que ainda não são tão famosos como a perda auditiva. Mas do jeito que a comunidade está se identificando com esses problemas, em breve eles serão mais populares do que a surdez.
A exposição crescente aos ruídos, seja por diversão, por trabalho ou simplesmente pela vida agitada das grandes cidades, tem mudado a maneira pela qual os ouvidos reagem aos sons e deixado-os mais sensíveis. 

A demanda de pessoas aos consultórios médicos se queixando de intolerância aos sons da vida aumentou muito e atualmente, atendo pelo menos uma pessoa por dia que se incomoda com o volume da voz das pessoas falando, da TV ligada, do trânsito, da praça de alimentação nos shoppings, dos latidos de cachorro etc. Essa é a história típica de quem tem Hiperacusia, que é uma intolerância com o volume dos sons. 

Por mais que seja esperado que os sons altos incomodem mais as pessoas do que os sons baixos, os portadores de Hiperacusia já começam a incomodar com sons antes dos 95 deciBels (dB) esperados para começarem a deflagrar desconforto. “Para se ter uma noção, uma conversa em volume normal alcança cerca de 60-65dB. Nos casos mais graves de Hiperacusia, as pessoas já sentem desconforto ao ouvirem sons de 40-50dB, o que praticamente inviabiliza uma vida profissional ou social.
Também tem ficado mais comum receber pessoas jovens se incomodando com sons baixos, mas repetitivos, como pessoas mastigando nas refeições ou mascando chiclete, nariz fungando, papel de bala, de pipoca ou de salgadinho no cinema, tamborilar de dedos, clique de caneta, chinelo arrastando etc. Diferente dos outros pacientes, esses jovens têm uma forte reação de raiva quando ouvem esses sons e alguns até chegam a ser agressivos. Para eles, não basta abaixar o volume dos sons, eles têm que desaparecer. Essa é a Misofonia ou Síndrome de Sensibilidade Seletiva do Som, conhecida também como 4S. Curiosamente, mais de 90% desses casos começam na infância ou adolescência, só que a falta de conhecimento faz com que essas pessoas sejam marginalizadas como ranzinzas ou anti-sociais, o que aumenta ainda mais o sofrimento. Uma maneira de acolher essas pessoas que ainda não têm respaldo da classe médica foi criar o S.O.S. Misofonia (http://misofonia.com.br) com dois objetivos: distribuir conhecimento à população carente de informação e permitir que os sofredores enviem um alerta anônimo a outra pessoa que nem sabe que faz os sons que o incomodam tanto.

O terceiro membro dessa família de efeitos colaterais dos ruídos da vida sobre os ouvidos é o zumbido. Esses sons podem ser comparados a apitos, chiados, cigarras, grilos, panela de pressão, etc e ocorrem em todas as idades, inclusive crianças e adolescentes, podendo comprometer o sono, a concentração na leitura, o equilíbrio emocional e até a vida social e familiar.
Pesquisas mostram que 1 a cada 4-5 pessoas tem zumbido, facilitando a compreensão de como isso se tornou tão comum. Como em qualquer família, os membros andam em grupos, ou seja, um único paciente pode ter associação de zumbido, misofonia e hiperacusia ao mesmo tempo.

Diagnósticos e Tratamentos: Hiperacusia e Misofonia 
Juntas ou separadas, podem ser amenizados com tratamentos diferentes, porém que devem ser personalizados caso a caso: medicações, terapia sonora com uso de sons de fraca intensidade, terapia cognitivo-comportamental e muita informação. Entender o problema é metade do caminho para quem não sabe o que tem. 

O portal S.O.S Misofonia (http://misofonia.com.br) ajuda a entender um pouco mais sobre essa doença recente e devastadora, além de alertar um outro indivíduo ‘anonimamente’ (seja no ambiente escolar ou profissional) que o barulho produzido traz um grande incômodo.

Zumbido 
Apesar de muitas pessoas pensarem que não existe tratamento para o Zumbido, já existe  e vários pacientes já receberam melhora no sintoma e também alguns alcançaram a cura, mas, para que seja iniciado é preciso uma análise do paciente e que englobe a rotina de trabalho, os hábitos alimentares -  a ingestão de gorduras, cafeína e doces – se toma alguma medicação de uso contínuo e qual o volume e a intensidade que o paciente escuta música, dentre outros. Só com esse perfil é possível tratar o paciente de forma adequada, seja com medicamentos ou com a reeducação para algum hábito ruim.

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Zumbido é coisa dos tempos modernos?


De  jeito nenhum! Zumbido é um assunto muito, muito antigo. Acreditem se quiserem: como tudo que é difícil de ser compreendido, ele ficou muito tempo sendo interpretado com conotações de magia.
O papiro de Ebers, do século XVI a.C., cita o zumbido como “um ouvido enfeitiçado” e o tratamento era “tirar o feitiço” com óleos no ouvido. Entre os assírios, por volta de 700 a.C., era comum a crença de que “se a mão de um fantasma toca um homem, os seus ouvidos apitam”.
Só na Idade Média é que o zumbido começou a ser tratado de modo mais individualizado. No século XX, vários passos importantes contribuíram para o avanço do conhecimento sobre o zumbido: a criação dos eventos científicos em várias partes do mundo, a formação de algumas associações sem fins lucrativos em diversos países, o franco aumento das publicações científicas e leigas, etc. Portanto, recentemente, mais profissionais estão se sensibilizando e investindo no conhecimento do zumbido para tratá-lo adequadamente e melhorar a qualidade de vida do paciente. Isso por si só já significa uma grande esperança!
Outra coisa interessante: você sabia que muitas pessoas "normais" podem perceber sons em seus ouvidos quando estão no silêncio? Pois é! Em 1953, uma pesquisa simples realizada na Inglaterra mostrou que muitas pessoas saudáveis perceberam sons quando permaneceram alguns minutos dentro de uma cabine à prova de som, prestando atenção em seus ouvidos. Na verdade, cada pessoa que entrava na câmara tinha a ilusão de que ouviria algum som dado pelos pesquisadores. Só que eles permaneceram no silêncio o tempo todo, apenas prestando atenção a seus ouvidos! Para surpresa de todos, 94% dessas pessoas perceberam sons compatíveis com zumbido durante o período de silêncio…
Nós reproduzimos essa pesquisa aqui no Brasil em 2007, como projeto de doutorado de uma aluna, a Keila. Usando um pouco mais de rigor científico, vimos que cerca de 70% de pessoas saudáveis realmente percebe sons nos ouvidos quando está em silêncio e com a atenção seletiva voltada para os ouvidos.
Nessas duas experiências, há uma lição muito interessante: muitas pessoas percebem zumbido em silêncio e, portanto, este é um comportamento normal nessas condições! Sabe por quê? No silêncio, a via auditiva está temporariamente privada de receber sons, e como o zumbido é o único som presente nessa situação, o cérebro avidamente presta atenção nele.
Isso simplesmente demonstra que nossa via auditiva funciona o tempo todo, mesmo quando não há sons externos para serem ouvidos. Resumindo, algumas pessoas têm a capacidade de perceber sons de baixíssimo volume dentro de seus ouvidos quando estão no silêncio, pois esses sons representam o próprio funcionamento da via auditiva. Portanto, não há nada de errado nisso e alguns até o chamam de ‘som do silêncio’!
Se você é uma dessas pessoas que:
1. só percebe um zumbido no silêncio do seu quarto, poucos minutos antes de dormir;
2. já fez avaliação médica que não mostrou perda auditiva ou nada mais que precise de tratamento;
3. não tem nenhum incômodo com seu zumbido;
Então, não se preocupe tanto… isso PODE fazer parte do que é considerado normal!
Para aqueles que se incomodam com o zumbido na hora de dormir, já dá para perceber que o silêncio e a atenção na via auditiva são dois grandes inimigos dessas pessoas, certo? 
Assista os vídeos da TV Zumbido (www.tvzumbido.com.br). Lá tem conhecimento para todos!!!

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Você e seu sintoma: o corpo FALA!!! Vamos OUVIR?

Olá, eu sou o seu sintoma!

Tenho muitos nomes: zumbido, tontura, dor (de cabeça, garganta, costas, articulações), catarro, depressão, ansiedade, tosse e muitos outros. Sou voluntário para o pior trabalho: ser o MENSAGEIRO de notícias pouco agradáveis para você.

Você não me entende. Acha que eu quero incomodar, limitar e estragar seus planos de vida. Não é assim, isso seria um absurdo! Sou o sintoma e estou TENTANDO LHE FALAR numa linguagem que você entenda.
Pense: você negociaria com terroristas, batendo na porta com uma flor na mão e vestindo uma camiseta com o símbolo da paz impresso nas costas? Não, né? Então, eu também não posso ser sempre “sutil” e “levinho” quando preciso lhe passar uma mensagem e VOCÊ NÃO ME DÁ ATENÇÃO, reclama de mim para todos, mas não pára um minuto para tentar entender o motivo de minha presença no seu corpo. Apenas me deixa impotente, mas devo ficar firme e constante até lhe fazer entender a mensagem.
O que você faz? Me adormece com antiinflamatórios, me suplica para sumir com sedativos, quer me apagar com quimioterapia. Tenta me calar dia após dia. Até prefere consultar bruxas e adivinhos para me fazer sumir como uma mágica... mas minha única intenção é lhe passar uma mensagem, que você insiste em ignorar totalmente.
Imagine que sou a sirene do Titanic, aquela que tenta de mil maneiras avisar que tem um iceberg na frente, que você vai bater e afundar. Toco durante horas, dias, meses, tentando salvar sua vida! E você só reclama que não deixo você dormir, caminhar, trabalhar. Está compreendendo? Para você, eu sou “a doença”. Que absurdo! Não confunda as coisas.
Aí você vai ao médico e paga por tantas consultas. Gasta um dinheirão em medicamentos. 
Eu não sou a doença, sou o sintoma. Por que me cala, quando sou o único ALARME QUE ESTÁ TENTANDO LHE SALVAR?
A doença é você, o seu estilo de vida, suas emoções reprimidas e desorganizadas. É bom você se sentir incomodado por estar lendo isso. É bom se achar um “golpe na sua inteligência”. Está certo se sentir frustrado. Eu lhe entendo e posso conduzir o seu processo muito bem. Isso faz parte do meu trabalho, não precisa se preocupar. A boa notícia é que DEPENDE DE VOCÊ não precisar mais de mim, depois que analisar o que tento lhe dizer e prevenir.
Quando apareço, é para lhe avisar que algo na sua vida deve ser analisado e resolvido para não ficar doente. Pergunte-se sempre “por que esse sintoma?”, “o que preciso entender?", "o que devo mudar em mim?". Se essas perguntas ficarem apenas na sua mente, nada muda... PERGUNTE TAMBÉM AO SEU CORAÇÃO, ÀS SUAS
EMOÇÕES, ao seu inconsciente!
Quando eu aparecer no seu corpo, antes de procurar um profissional para me calar, analise o que tento lhe dizer verdadeiramente. Por favor, me entenda... ou você acha que eu gosto do que eu faço? Tome consciência, reflita e aja rapidamente. Modéstia à parte, meu trabalho é excelente. Quanto antes você tomar consciência da mensagem, mais rápido irei embora. Aos poucos verá que, quanto melhor me analisar, menos lhe visitarei. Garanto que chegará o dia que não me sentirá mais, quando atingir esse equilíbrio como “analisador” de sua vida, de suas emoções, de suas reações, de sua coerência.
Atenciosamente,
O sintoma.
Autor desconhecido; adaptado e resumido por Tanit Ganz Sanchez
, , , ,, , , , , , instituto Ganz Sanchez