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quarta-feira, 19 de abril de 2017

XXX CURSO TEÓRICO-PRÁTICO INTENSIVO DE ZUMBIDO 
03/06 na Sede do Instituto Ganz Sanchez - São Paulo

Nesta turma, compartilharemos as novidades do:  I Word Tinnitus Congress (maio-Polônia)

Caros amigos otorrinos e fonos, convidamos vocês para o 30ª  Turma do CURSO TEÓRICO-PRÁTICO INTENSIVO SOBRE ZUMBIDO 

Sempre inovando; este é nosso jeito! Usando a conhecida didática e capacidade de síntese para compartilhar ideias, abordaremos tudo que é relevante para o atendimento de pacientes com zumbido em consultório. Diferente de outros cursos previamente ministrados pela Dra Tanit, este evento terá a participação prática e ativa da plateia em todas as aulas. Para melhor aproveitamento do conteúdo prático, este curso é aplicado a pequenas turmas (30 vagas por curso), de modo informal e com tempo para troca de experiências entre os participantes. Por ser um trabalho de equipe, sugerimos a participação de duplas de otorrinos+fonos para aumentar a probabilidade de implantação do aprendizado nos consultórios.

Organização:            Profa Dra. Tanit Ganz Sanchez (Otorrinolaringologista Livre-Docente pela FMUSP, Diretora-Presidente do Instituto Ganz Sanchez 

Gerência Financeira e Administrativa: Luzia Feitoza e Isabel Gomes

Público alvo: Otorrinolaringologistas e fonoaudiólogos

Data:              Sábado, 03/06/2017

Local:             Av. Padre Pereira de Andrade, 353 - Alto de Pinheiros

Contato:        (11) 3021-5251 ou contato@institutoganzsanchez.com.br

Inscrições:     R$ 494,00 (acesso às aulas, coffee-breaks, almoço e certificado). Ficha de Inscrição: acesse aqui.

Forma de Pagamento: 
- Boleto Bancário: favor solicitá-lo através de Telefone: (11) 3021-5251 ou e-mail: contato@institutoganzsanchez.com.br.

Esperamos por você!

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Conheça os problemas do ouvido que estão “virando moda”: Hiperacusia, Misofonia e Zumbido

Tão comuns, mas tão pouco conhecidos, que mereceram canais específicos de divulgação e cada vez mais pessoas estão se identificando com eles.
A vida moderna tem mesmo causado alguns problemas mais sutis nos ouvidos que ainda não são tão famosos como a perda auditiva. Mas do jeito que a comunidade está se identificando com esses problemas, em breve eles serão mais populares do que a surdez.
A exposição crescente aos ruídos, seja por diversão, por trabalho ou simplesmente pela vida agitada das grandes cidades, tem mudado a maneira pela qual os ouvidos reagem aos sons e deixado-os mais sensíveis. 

A demanda de pessoas aos consultórios médicos se queixando de intolerância aos sons da vida aumentou muito e atualmente, atendo pelo menos uma pessoa por dia que se incomoda com o volume da voz das pessoas falando, da TV ligada, do trânsito, da praça de alimentação nos shoppings, dos latidos de cachorro etc. Essa é a história típica de quem tem Hiperacusia, que é uma intolerância com o volume dos sons. 

Por mais que seja esperado que os sons altos incomodem mais as pessoas do que os sons baixos, os portadores de Hiperacusia já começam a incomodar com sons antes dos 95 deciBels (dB) esperados para começarem a deflagrar desconforto. “Para se ter uma noção, uma conversa em volume normal alcança cerca de 60-65dB. Nos casos mais graves de Hiperacusia, as pessoas já sentem desconforto ao ouvirem sons de 40-50dB, o que praticamente inviabiliza uma vida profissional ou social.
Também tem ficado mais comum receber pessoas jovens se incomodando com sons baixos, mas repetitivos, como pessoas mastigando nas refeições ou mascando chiclete, nariz fungando, papel de bala, de pipoca ou de salgadinho no cinema, tamborilar de dedos, clique de caneta, chinelo arrastando etc. Diferente dos outros pacientes, esses jovens têm uma forte reação de raiva quando ouvem esses sons e alguns até chegam a ser agressivos. Para eles, não basta abaixar o volume dos sons, eles têm que desaparecer. Essa é a Misofonia ou Síndrome de Sensibilidade Seletiva do Som, conhecida também como 4S. Curiosamente, mais de 90% desses casos começam na infância ou adolescência, só que a falta de conhecimento faz com que essas pessoas sejam marginalizadas como ranzinzas ou anti-sociais, o que aumenta ainda mais o sofrimento. Uma maneira de acolher essas pessoas que ainda não têm respaldo da classe médica foi criar o S.O.S. Misofonia (http://misofonia.com.br) com dois objetivos: distribuir conhecimento à população carente de informação e permitir que os sofredores enviem um alerta anônimo a outra pessoa que nem sabe que faz os sons que o incomodam tanto.

O terceiro membro dessa família de efeitos colaterais dos ruídos da vida sobre os ouvidos é o zumbido. Esses sons podem ser comparados a apitos, chiados, cigarras, grilos, panela de pressão, etc e ocorrem em todas as idades, inclusive crianças e adolescentes, podendo comprometer o sono, a concentração na leitura, o equilíbrio emocional e até a vida social e familiar.
Pesquisas mostram que 1 a cada 4-5 pessoas tem zumbido, facilitando a compreensão de como isso se tornou tão comum. Como em qualquer família, os membros andam em grupos, ou seja, um único paciente pode ter associação de zumbido, misofonia e hiperacusia ao mesmo tempo.

Diagnósticos e Tratamentos: Hiperacusia e Misofonia 
Juntas ou separadas, podem ser amenizados com tratamentos diferentes, porém que devem ser personalizados caso a caso: medicações, terapia sonora com uso de sons de fraca intensidade, terapia cognitivo-comportamental e muita informação. Entender o problema é metade do caminho para quem não sabe o que tem. 

O portal S.O.S Misofonia (http://misofonia.com.br) ajuda a entender um pouco mais sobre essa doença recente e devastadora, além de alertar um outro indivíduo ‘anonimamente’ (seja no ambiente escolar ou profissional) que o barulho produzido traz um grande incômodo.

Zumbido 
Apesar de muitas pessoas pensarem que não existe tratamento para o Zumbido, já existe  e vários pacientes já receberam melhora no sintoma e também alguns alcançaram a cura, mas, para que seja iniciado é preciso uma análise do paciente e que englobe a rotina de trabalho, os hábitos alimentares -  a ingestão de gorduras, cafeína e doces – se toma alguma medicação de uso contínuo e qual o volume e a intensidade que o paciente escuta música, dentre outros. Só com esse perfil é possível tratar o paciente de forma adequada, seja com medicamentos ou com a reeducação para algum hábito ruim.

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Zumbido é coisa dos tempos modernos?


De  jeito nenhum! Zumbido é um assunto muito, muito antigo. Acreditem se quiserem: como tudo que é difícil de ser compreendido, ele ficou muito tempo sendo interpretado com conotações de magia.
O papiro de Ebers, do século XVI a.C., cita o zumbido como “um ouvido enfeitiçado” e o tratamento era “tirar o feitiço” com óleos no ouvido. Entre os assírios, por volta de 700 a.C., era comum a crença de que “se a mão de um fantasma toca um homem, os seus ouvidos apitam”.
Só na Idade Média é que o zumbido começou a ser tratado de modo mais individualizado. No século XX, vários passos importantes contribuíram para o avanço do conhecimento sobre o zumbido: a criação dos eventos científicos em várias partes do mundo, a formação de algumas associações sem fins lucrativos em diversos países, o franco aumento das publicações científicas e leigas, etc. Portanto, recentemente, mais profissionais estão se sensibilizando e investindo no conhecimento do zumbido para tratá-lo adequadamente e melhorar a qualidade de vida do paciente. Isso por si só já significa uma grande esperança!
Outra coisa interessante: você sabia que muitas pessoas "normais" podem perceber sons em seus ouvidos quando estão no silêncio? Pois é! Em 1953, uma pesquisa simples realizada na Inglaterra mostrou que muitas pessoas saudáveis perceberam sons quando permaneceram alguns minutos dentro de uma cabine à prova de som, prestando atenção em seus ouvidos. Na verdade, cada pessoa que entrava na câmara tinha a ilusão de que ouviria algum som dado pelos pesquisadores. Só que eles permaneceram no silêncio o tempo todo, apenas prestando atenção a seus ouvidos! Para surpresa de todos, 94% dessas pessoas perceberam sons compatíveis com zumbido durante o período de silêncio…
Nós reproduzimos essa pesquisa aqui no Brasil em 2007, como projeto de doutorado de uma aluna, a Keila. Usando um pouco mais de rigor científico, vimos que cerca de 70% de pessoas saudáveis realmente percebe sons nos ouvidos quando está em silêncio e com a atenção seletiva voltada para os ouvidos.
Nessas duas experiências, há uma lição muito interessante: muitas pessoas percebem zumbido em silêncio e, portanto, este é um comportamento normal nessas condições! Sabe por quê? No silêncio, a via auditiva está temporariamente privada de receber sons, e como o zumbido é o único som presente nessa situação, o cérebro avidamente presta atenção nele.
Isso simplesmente demonstra que nossa via auditiva funciona o tempo todo, mesmo quando não há sons externos para serem ouvidos. Resumindo, algumas pessoas têm a capacidade de perceber sons de baixíssimo volume dentro de seus ouvidos quando estão no silêncio, pois esses sons representam o próprio funcionamento da via auditiva. Portanto, não há nada de errado nisso e alguns até o chamam de ‘som do silêncio’!
Se você é uma dessas pessoas que:
1. só percebe um zumbido no silêncio do seu quarto, poucos minutos antes de dormir;
2. já fez avaliação médica que não mostrou perda auditiva ou nada mais que precise de tratamento;
3. não tem nenhum incômodo com seu zumbido;
Então, não se preocupe tanto… isso PODE fazer parte do que é considerado normal!
Para aqueles que se incomodam com o zumbido na hora de dormir, já dá para perceber que o silêncio e a atenção na via auditiva são dois grandes inimigos dessas pessoas, certo? 
Assista os vídeos da TV Zumbido (www.tvzumbido.com.br). Lá tem conhecimento para todos!!!

quinta-feira, 7 de maio de 2015


Ser MÃE - com letras maiúsculas - realmente é um dos maiores aprendizados que a vida pode dar às mulheres.


Espero que você tenha EMOÇÕES gostosas e reconfortantes quando pensa nessa palavra:
- seja por lembrar da sua mãe, mesmo que ela não esteja tão perto
- seja por lembrar da sua avó, mesmo que ela não esteja tão perto
- seja por lembrar de você, mesmo que seus filhos não estejam tão perto

Como qualquer aprendizado, quem disse que é fácil ser MÃE? Afffe!!!
Maternidade é muito mais do que dar à luz, alimentar, vestir e colocar para dormir. 
Isso qualquer uma faz. O difícil, pelo menos para mim, é o malabarismo de me equilibrar o tempo todo na corda bamba,jogando SEIS bolas para cima e pegando-as sem deixar nenhuma cair e quebrar.

1ª bola: nosso papel de moldar a personalidade dos filhos 
naquilo que é possível, QUANDO possível (sim, tem tempo para isso e quanto antes, melhor)
e COMO possível (sim, tem jeito para isso, mas eu não sei exatamente qual é...), 
sempre para o bom caminho. 
Afinal, 
pus duas filhas no mundo achando que elas vão ser boas e felizes!

2ª bola: ter que ser bom exemplo (quase) o tempo todo para que eles não pensem que seu lema predileto é "faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço" (desmoralizante, né?). Essa bola foi motivadora para meu amadurecimento logo na primeira gestação. Sou dura comigo mesma e não me permito errar com o que já errei antes (a autocobrança chegou aqui e nunca mais saiu, rs).  

3ª bola: achar que eles vão valorizar nossos bons exemplos, mesmo quando alguém chega com a tentação: 
"ahh, deixe de ser careta, que mal faz só um pouquinho?"(um pouquinho de qualquer coisa que você ache que pode estragar seu filho) Esse é um dos meus sonhos. Será que elas vão ter esse discernimento e vão aprender com as ciladas da vida? Ai, que bola difícil de equilibrar!

4ª bola: entrosar as diferenças de personalidade, para que um sempre entenda o outro, mesmo quando não concorda. É o segredinho da receita para que o amor, a harmonia, a paz e o diálogo estejam sempre presentes dentro de casa. Essa é a bola mais frágil e a que mais me cansa equilibrar... mas é a que mais vale a pena!

5ª bola: ensinar, desde sempre, a lição de que "combinado é combinado". 
Sua palavra de honra bem cumprida faz de você uma pessoa confiável, que merece a credibilidade dos outros. 
Isso tem muito valor agregado, mas é um pensamento em extinção :( Pessoas que falam uma coisa e fazem outra podem nos fazer mal a qualquer momento. Esse é outro dos meus sonhos... será que elas vão demorar para entender isso na prática? Será que vão aprender com as ciladas da vida?

6ª bola: aceitar (e agir de acordo!) que seus filhos podem sim, saber mais do que você em algumas coisas. 
Para falar a verdade, essa bola eu tenho grande prazer de equilibrar! Não tem dinheiro no mundo que pague sua sensação de "queixo caído" porque sua filha foi surpreendentemente boa em alguma coisa (qualquer coisa!)

Rezo todo dia para conseguir equilibrar bem essas bolas!
Agora que o CORAÇÃO de mãe já está aliviado, vamos falar dos OUVIDOS, que é o tema de hoje, rsrs!
Sabe quando os ouvidos dos nossos filhos começam a funcionar? Entre a 5a e a 7a semana de gestação!!! 
Muita gente nem sabe que está grávida nessa época!

E o que esse fato muda na sua vida? Para quem já "fechou a fábrica", não muda nada. 
Para quem ainda quer ter filhos, ATENÇÃO! Quanto mais você explorar bem esse conhecimento, melhor!!!Hããã?

Vamos vincular EMOÇÕES, CORAÇÃO e OUVIDOS de uma vez!
Logo no comecinho da gestação, seu filho já pode ser emocionalmente bem moldado só porque já tem OUVIDOS funcionantes.Não é legal?
- ele pode ouvir sua voz de mãe feliz porque está gravida. Ouvindo, ele sente...
- ele pode ouvir as músicas calmas que você coloca especialmente para ele
enquanto passa a mão na própria barriga e fala com ele. Ouvindo, ele sente...
- ele pode ouvir as conversas que você tem com o pai sobre como vocês estão esperançosos
com a chegada dele e a vida nova. Ouvindo, ele sente...
- mas ele também pode ouvir quando você fala coisas que não são as melhores
que poderiam sair de sua boca. Ouvindo, ele sente...
Percebeu a importância?

Portanto, dê valor aos seus OUVIDOS! 
Eles são muito importantes na nossa vida, desde o comecinho!
E eu sou suspeita para falar, né? Sou MÃE e sou otorrino "viciada" em saber cada vez mais sobre essa parte do corpo, :)

Dedico esse texto em homenagem a todos os filhos de uma MÃE!
Pensou bobagem? Essa foi apenas uma maneira diferente de homenagear a todos :)
Feliz Dia das Mães! Nós realmente merecemos!!!

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Claudia Leitte, você está muito certa, viu? Virei sua fã!




Quem acompanhou o "barulho" que a Claudia Leitte conseguiu provocar no ensaio da bateria da Mocidade Independente de Padre Miguel mês passado? Justo porque ela pensou em "silenciar" um pouco do alto volume do som que chega aos ouvidos dela com protetores de ouvido personalizados para ela... Imaginem só, ser vaiada por fazer a coisa certa.


O que vocês acham disso? Confesso que senti uma mistura de raiva (de quem vaiou) com pena (de quem foi vaiado; poderia ter sido qualquer um) e com frustração (por ver taaanto desconhecimento sobre a fragilidade dos ouvidos perante o som de uma bateria). Sempre que sinto coisas ruins como essas, me obrigo a mudar de sintonia: respiro fundo, me acalmo e tento pensar com a cabeça (mais) aberta para tentar entender o outro lado das coisas.


Frutos dessa reflexão:

1. A Claudia Leitte, como qualquer cantora que se preze, sabe que depende dos ouvidos e da voz para fazer e manter uma carreira de sucesso. ELA FEZ CERTO, mas foi v-a-i-a-d-a!!!!


2.  Tudo que eu queria era que alguém famoso mostrasse em público que se importa com a saúde auditiva, para que os imitadores fizessem o mesmo. Pensei até numa cena de novela em que uma turma fosse para a balada, cada um usando um protetor de ouvido de cor diferente! Isso ia ajudar muita gente a entender que é NECESSÁRIO proteger os ouvidos! Quase pulei de alegria ao ver a foto da Claudia Leitte com protetor de ouvidos em plena Sapucaí, pois todos os anos nós atendemos pessoas que amargam um zumbido e uma perda auditiva permanente depois dos exageros do Carnaval e se arrependem profundamente. ELA FEZ CERTO, mas foi v-a-i-a-d-a!!!!


3. tem gente que comentou na entrevista "Isso é coisa de principiante, de alguém que acabou de entrar para o samba. Como ela vai interagir com a bateria assim?" Principiante ou não, ELA FEZ CERTO, mas foi v-a-i-a-d-a!!!!


4. teve quem falou: “É uma questão de costume. Eu acho indelicado com a bateria.” Eu jamais pensaria em indelicadeza, mas foi ótimo saber que alguém pode pensar dessa maneira. Quem sabe isso pode ajudar nas campanhas de divulgação do assunto? De qualquer jeito, ELA FEZ CERTO, mas foi v-a-i-a-d-a!!!!


5. Senti uma certa maldade nesse comentário que veio a público: “Ela não quer ouvir o coração da escola? Se ela não pode ouvir a bateria, passa a bola. É a maior emoção escutar aquele som. Aí vou tampar? Nem pensar”. Acho que ser eleita Rainha da Bateria deve ser uma emoção e tanto para quem ganha, deixando muuuuita gente com inveja. Por mim, ELA FEZ CERTO, mas foi v-a-i-a-d-a!!!!


6. O comentário mais precioso para mim foi esse: “Não temos esse hábito aqui. Depois dos ensaios, parece que a bateria ainda está no nosso ouvido. Mas a gente se acostuma e, quando chega em casa, já passou o efeito.”. Puxa, se as pessoas soubessem que os ouvidos que ficam com esse zumbido temporário são aqueles que já são vulneráveis, entenderia melhor que o risco de continuar se expondo ao som da bateria (ou de outros) é maior do que o de outras pessoas.


7. A pérola final da entrevista ficou por conta da frase: A escola informou que, por ser intérprete, ela não pode ter a audição prejudicada. O motivo não convenceu o público. “Quando ela decidiu ser rainha não imaginou que o barulho fosse ser alto?” Ai,ai,ai... o que será que tem poder para convencer o público além das inúmeras informações de pesquisas científicas ancestrais e até de várias coisas leigas que estão na internet para serem vistas por todos? Para quem não acredita na inteligência da PREVENÇÃO, acho que só mesmo a dolorida experiência de uma lesão auditiva no próprio ouvido para as pessoas acreditarem.

Por isso, digo sem medo de ser vaiada: CLAUDIA LEITTE, VOCÊ ESTÁ MUITO CERTA, VIU? VIREI SUA FÃ!!!

Profa Dra Tanit Ganz Sanchez

Presidente da Associação de Pesquisa Interdisciplinar e Divulgação do Zumbido


sexta-feira, 21 de novembro de 2014

A perigosa relação da diabetes com a audição

Está aí um assunto que merece mais atenção... Cerca de 382 milhões de pessoas no mundo têm diabetes. Algumas se conformam com a necessidade de se privar das guloseimas, enquanto outras vivem burlando as regras e até comem doces escondido da família. 

De um jeito ou de outro, a diabetes é uma doença bem chata, pois suas consequências podem acometer vários outros órgãos do corpo. Bastante ênfase é dada aos problemas visuais, renais e ao famoso “pé diabético”, que não cicatriza e pode levar à amputação.

Pouca gente dá valor aos problemas auditivos dos diabéticos, mas eles têm o dobro da probabilidade de ter esses problemas quando comparados às pessoas sem diabetes. Além disso, 45% dos diabéticos têm perda auditiva. Se lembrarmos que o zumbido é consequência de perda auditiva, está aí uma ligação comum entre todos os problemas.

Portanto, esses dados são muito preocupantes, afinal todos esses problemas estão aumentando rapidamente!!! Para se ter uma ideia, a previsão para 2035 é de 55% de aumento de diabéticos e, até 2050, de 50% de aumento de pessoas com problemas auditivos.

Chocante, não? E o que é mais interessante: muito antes da diabetes aparecer, as pessoas já estão no estágio de pré-diabetes e não sabem! Exames de sangue como glicemia de jejum, hemoglobina glicosilada e curva glico-insulinêmica podem ajudar na detecção precoce. 

Por isso, convido a todos para repensarmos nossos cuidados com a saúde e os possíveis erros alimentares que não valorizamos como deveríamos! 



terça-feira, 26 de agosto de 2014

Zumbido e audição podem NÃO estar associados?

O zumbido com muita frequência tem associação com algum grau de perda auditiva. Entretanto, em outros casos, ele pode estar associado a problemas emocionais (ansiedade ou depressão) e a dores frequentes na vizinhança do ouvido (cabeça, face, pescoço e ombros).

Dores musculares (chamadas dores miofasciais, por causa da fáscia – camada que recobre os músculos) em músculos próximos ao ouvido podem provocar sintomas reflexos, como zumbido, dor em pontadas, ouvido tampado e até tonturas. Nesses casos, a dor provoca o zumbido ou interfere temporariamente com seu volume.

Nesses casos específicos, a fisioterapia voltada para o tratamento dos músculos pode ajudar a melhorar os sintomas relacionados (zumbido, dor em pontadas, ouvido tampado e as tonturas citadas acima). As sessões visam restabelecer a condição muscular, melhorar a amplitude dos movimentos, aumentar a força dos músculos e controlar a dor. Vale lembrar que quanto mais próximos do ouvido, maior a chance de haver relação com o zumbido.

Então, atenção pessoal!!! Se estiverem sentindo dor na cabeça, no pescoço ou nos ombros relatem isso ao otorrino para que sejam avaliados e, se for o caso, tratados por um fisioterapeuta.


sábado, 23 de agosto de 2014

Zumbido e problemas de circulação: qual a relação?


O ouvido é uma das maravilhas da natureza... apesar de minúsculo, funciona 24 horas por dia, 7 dias por semana, inclusive enquanto dormimos... e faz tudo isso SEM ter um estoque de energia para garantir esse funcionamento constante.

Por isso, a chegada do sangue contendo nutrientes que forneçam energia para o ouvido trabalhar direitinho precisa ser muito eficiente! Só que, para piorar as coisas, o ouvido interno (parte que transforma os sons em energia elétrica) só tem um único vaso sanguíneo (artéria auditiva interna) para a chegada desse sangue. Por isso, qualquer doença que provoque estreitamento desse vaso sanguíneo pode piorar a circulação do sangue nesse território e diminuir a função dos ouvido.

Quais são essas doenças? Várias! Entre elas: colesterol e/ou triglicérides altos, hipertensão, diabetes ou pré-diabetes, vasculites, insuficiência vascular cerebral etc. Como essas doenças são comuns e o zumbido também é, muitas pessoas não relacionam uma coisa com a outra e acabam menosprezando a responsabilidade dessas doenças sobre o ouvido!

Se esse é o seu caso, procure um otorrino focado em zumbido e avalie sua saúde em geral. Lembre-se: a prevenção sempre é o melhor remédio. Precisamos pensar em melhorar o nosso “hoje” e o nosso “amanhã”!



quinta-feira, 21 de agosto de 2014

“Epidemia” de zumbido no século XXI: preparando nossos filhos e netos


Há 20 anos, digitar a palavra “tinnitus” no Pubmed fornecia 150 referências (1994). Já em 2012, esse número aumentou para 641, mostrando um crescimento maior que 400% nas publicações científicas. Este é um parâmetro nítido do aumento de interesse sobre o assunto, seja por parte de pesquisadores, universidades, indústrias farmacêuticas e empresas de tecnologia auditiva.
Uma possível justificativa para tal interesse está nas evidências científicas sobre o aumento progressivo de zumbido na população. Afinal, essa prevalência já subiu de 15% (National Institute of Health, 1995) para 25,3% (Shargorodsky, 2010) em apenas 15 anos, tornando-o um problema mais frequente do que a asma, surdez, cegueira ou Alzheimer. E isso já se reflete visivelmente nos consultórios de otorrinolaringologistas de todo o Brasil, haja vista a recente busca por mais informação em cursos e congressos.

Muitas pesquisas comprovaram que perdas auditivas, mesmo as bem discretas, podem causar zumbido. Além disso, quem tem zumbido com audiometria normal ainda pode ter alteração em outro exame mais sensível, que chama emissões otoacústicas. Este exame pode demonstrar lesões menores ainda no ouvido. No nosso dia a dia, quando um adulto tem zumbido, cerca de 90% das vezes já existe perda auditiva em pelo menos uma das frequências sonoras testadas na audiometria. Entretanto, em jovens a situação é diferente: eles costumam perceber zumbido antes de notarem qualquer perda auditiva. Portanto, a presença do zumbido sugere fortemente que ele seja um sinal de alerta precoce para futuros problemas e isso deveria acelerar a busca pelo diagnóstico precoce, seja ela feita por otorrinolaringologistas, clínicos, geriatras, pediatras ou hebiatras.
Em 2007, publicamos uma pesquisa como parceria entre as Universidades de São Paulo e de Iowa, que estudou 506 crianças de 5 a 12 anos (Coelho, Sanchez, Tyler, 2007). Dentre elas, 37,7% deles tinham zumbido e 19% se incomodavam com ele. Estes dados surpreendentes nos motivaram a pesquisar o problema em adolescentes, considerando que eles gostam ainda mais das situações atuais de lazer ruidoso. Assim, convidamos 170 adolescentes do Colégio Santa Cruz, uma renomada escola paulistana, para se submeterem a diversos procedimentos, após autorização dos pais, dentro do ambiente escolar. A escolha de uma escola privada foi baseada na hipótese de que seus alunos, pertencentes a famílias de classe média ou alta, teriam liberdade financeira para escolher os hábitos de lazer, o que nos permitiria observar melhor as opções escolhidas por eles.

Inicialmente, os alunos responderam um questionário para avaliar sua autopercepção de sintomas (zumbido, perda auditiva e hipersensibilidade a sons) e a exposição a potenciais fatores de risco (fones de ouvido, baladas/shows e celulares). A seguir, duas otorrinolaringologistas realizaram o exame físico e removeram cerúmen nos casos necessários, garantindo boas condições para a realização dos exames. Posteriormente, duas fonoaudiólogas realizaram, em cabina acústica, a audiometria tonal de 250 a 16000Hz, limiar de desconforto a sons (LDL), emissões otoacústicas e acufenometria (apenas nos casos em que o zumbido estava presente no momento).

Essa pesquisa, realizada com apoio da FAPESP, foi inédita porque o zumbido foi avaliado por dois métodos complementares: o questionário - que toda pesquisa faz - e a acufenometria, usada como critério de rigor para a confirmação da presença do zumbido.

No questionário dos 170 alunos, 93 (54,7%) responderam que têm ou já tiveram zumbido nos últimos 12 meses. Dentre eles, 51,1% o associaram à saída de ambientes com música alta.   Quanto à acufenometria, 49 alunos (28,8% dos 170 avaliados ou 52,6% dos 93 que relataram zumbido pelo questionário) também conseguiram medir a frequência sonora e a sensação de intensidade do zumbido dentro da cabina acústica, de modo reprodutível.

Independente se considerarmos a resposta do questionário (54,7%) - metodologia semelhante às demais pesquisas - ou a da acufenometria (28,8%), já evidenciamos que a prevalência de zumbido entre adolescentes é maior do que a de outras faixas etárias, como visto anteriormente. Ainda mais interessante foi o fato do zumbido provocar pouco incômodo (média da escala numérica de 0 a 10 = 3,58) nos adolescentes, fazendo com que eles não contassem aos pais nem procurassem ajuda médica. Pensando em termos de “epidemia”, esse parece um terreno fértil para uma “proliferação” do problema, já que esses fatores atrasam o início do tratamento e contribuem para que o zumbido se torne cada vez mais crônico.

Esta geração de jovens tem potencial para viver até os 100 anos. É possível e provável que esses ouvidos com zumbido sejam mais sensíveis a lesões no futuro, por isso devem ser avaliados com mais frequência e mais cuidado, pois poderão ter perda auditiva mais precoce do que outras gerações.
Há 20 anos, era quase unanimidade que o atendimento a um paciente com zumbido evocasse automaticamente no otorrinolaringologista um pensamento parecido com “não há nada que possa ser feito” ou “você precisa aprender a conviver com isso”. Entretanto, a investigação etiológica do zumbido e a definição da conduta terapêutica são atos próprios do otorrinolaringologista, embora o trabalho de equipe interdisciplinar seja uma ferramenta muito valiosa, em especial nos casos difíceis.
Por isso, para os interessados em ter um novo olhar sobre um problema antigo, já temos à disposição:
- um protocolo bem definido de investigação médica e audiológica para determinar as principais etiologias do zumbido e auxiliar na diferenciação dos subgrupos, auxiliando no atendimento do dia a dia;
- um protocolo de “handicap” validado e traduzido para o português, auxiliando como instrumento para pesquisas científicas;
- médicos ou centros com atendimento especializado, às vezes até bastante interdisciplinar, em nível de SUS, convênios e particulares, em várias cidades;
- cursos, painéis, mesas redondas ou plenárias sobre zumbido em todos os grandes congressos de otorrinolaringologia no Brasil, via de regra com salas cheias;
- eventos internacionais de zumbido: o International Tinnitus Seminar, existente desde 1981 e ocorrendo a cada 3 anos; o Tinnitus Research Initiative, existente desde 2006 e ocorrendo anualmente.
Assim, com o conhecimento científico crescente e condições melhores de atendimento, cabe aqui uma reflexão: a frase “zumbido não tem cura” por enquanto é verdadeira no sentido literal da palvara cura. Entretanto, por algum motivo, ela é frequentemente associada a “não ter nada para fazer”, o que não é coerente com as várias opções de tratamento publicadas, com eficácias distintas que provavelmente serão maiores, quando forem aplicadas especificamente a subgrupos de pacientes com zumbido.
Curar-se envolve, via de regra, percorrer um caminho que proporciona 100% de melhora na linha de chegada. Muitas doenças não têm cura definitiva, mas é rotina que os médicos invistam esforços pessoais para amenizar e controlar pacientes com rinite alérgica, polipose nasal, asma, hipertensão, diabetes, etc. Percorrer o caminho do tratamento do zumbido e poder obter melhora parcial, seja de 20%, 50% ou 80%, como se consegue com outros sintomas da Medicina, já poderia ser um fato mais aceito pelos otorrinolaringologistas.
Muitos mistérios ainda precisam ser desvendados e muita coisa ainda precisa ser feita para que o otorrino “abrace” o zumbido com mais naturalidade, assim como se faz com as amigdalites, nódulos de pregas vocais, desvios de septo e perfurações timpânicas.
Os vários fatores que justificam esse aumento sensível de prevalência do zumbido - maior exposição a ruído, a ondas eletromagnéticas, a erros alimentares e a estresses diários - vão continuar presentes em nossas vidas por muitos anos. Então, fica lógico entender porque até crianças e adolescentes começaram a apresentar esse problema. Infelizmente, é provável que nossas próximas gerações de filhos e netos tenham maior probabilidade de precisar de nossa ajuda para diagnóstico, tratamento ou prevenção, o que seria um motivo pessoal a mais para o zumbido entrar de vez na pauta do otorrinolaringologista.

Profa  Dra. Tanit Ganz Sanchez, Professora Associada da Disciplina de ORL da Faculdade de Medicina da USP; Presidente da Associação de Pesquisa Interdisciplinar e Divulgação do Zumbido (APIDIZ).

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Perfil de personalidade pode ter relação com o sofrimento do zumbido

Cada vez mais pessoas têm zumbido no mundo todo e, diferente do que se pensa, isso não é exclusividade dos idosos. Até crianças e adolescentes têm zumbido com frequência, porém a maioria deles não se incomoda com a presença do som.

Por isso, cada vez mais os pesquisadores entendem que “não basta ter zumbido”, algo mais tem que acontecer para que o sofrimento com ele apareça.

Uma das possibilidades tem a ver com o perfil de personalidade. Todo mundo sabe que a vida oferece inúúúmeros motivos para uma pessoa se estressar, ficar ansiosa ou deprimida... mas nem todo mundo fica!! Alguns têm uma habilidade natural (ou aprendida) para lidar melhor com as dificuldades ou para  aceitar melhor as perdas do que outros.



Pesquisadores do National Institute for Health Research (NIHR) em Nottingham descobriram que as pessoas solitárias, preocupadas, ansiosas ou com instabilidade de humor têm mais incômodo com o zumbido do que outras pessoas. Portanto, concluíram que as pessoas com perfil de personalidade neurótico têm mais tendência de sofrer mais com o zumbido.

Outras pesquisas já haviam demonstrado que o perfil perfeccionista e metódico também. Por isso, hoje eu aceito numa boa que “não basta ter zumbido”; precisamos ver “quem” tem esse zumbido – identificar o perfil de personalidade faz parte dessa abordagem mais holística, ampla e profunda que nós fazemos de rotina no Instituto Ganz Sanchez, olhando a pessoa como um todo.

Por isso, em paralelo com o tratamento do zumbido, procure levar uma vida com mais acesso ao lazer/prazer, mesmo sabendo que isso é difícil em algumas profissões. Lembre-se SEMPRE: procurar ajuda médica precoce faz toda a diferença para o sucesso do tratamento!

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Fone de ouvido ideal: isso existe ou é coisa surreal?

Pela lei 11.291, os fabricantes de equipamentos portáteis sonoros individuais são obrigados a informar seus clientes de que volumes acima de 85 dB podem lesar o sistema auditivo. Como saber se estamos extrapolando no uso dos nossos fones de ouvido?
Apesar de ser uma invenção maravilhosa, o uso do fone de ouvido de maneira abusiva pode prejudicar a saúde, em especial a dos ouvidos. Tudo por causa do excesso de volume, excesso de tempo com o aparelho, vulnerabilidade individual de cada pessoa ou todos os fatores juntos!
Sempre falamos sobre as principais maneiras de prevenção, mas não custa repetir: não ultrapasse a metade da potência de cada aparelho (volume) e nem fique com o fone por mais de duas horas seguidas. Com esses dois fatores sob controle, resta apenas a vulnerabilidade individual de cada um, que é muito difícil de conhecer e controlar. 

Quais problemas o mau uso do fone de ouvido pode causar?
1.    Aos ouvidos: 
Perda de audição: é a lesão mais conhecida e temida, porém ela demora para acontecer e as pessoas dificilmente acreditam que vai acontecer com elas.
Zumbido: é um barulho no ouvido (chiado ou apito) que pode ser melhor percebido em momentos de silêncio, como antes de dormir. É um sintoma de lesão inicial, portanto aparece mais precocemente do que a perda auditiva. Em geral, o zumbido é o sinal de alerta que a lesão já começou, mas que ainda pode ser revertida se novos cuidados forem tomados. Portanto, esse é o momento ideal de procurar ajuda médica, ANTES de perceber alguma perda auditiva.
Hipersensibilidade auditiva ou intolerância a sons: as pessoas começam, progressivamente, a se irritar com sons do dia-a-dia que antes não incomodavam. Exemplo: vozes, TV, música, eletrodomésticos, etc. Também pode aparecer antes da perda auditiva, com ou sem zumbido, mas é o sintoma menos comum de todos.
2.    Ao sono:
O principal é a insônia inicial ou medial (dificuldade para começar a dormir ou para manter o sono).
3.    Outros danos:
Diminuição da concentração, agitação, nervosismo e até aumento da pressão arterial!!!
Existe um fone de ouvido ideal?
Sim. Recentemente dei uma entrevista para a VEJA e gostei muito porque ela juntou minha opinião médica com uma pesquisa sobre a segurança de cada tecnologia.
Há 4 tipos de fones principais, criados por motivos diferentes. Qualquer tipo pode prejudicar a saúde auditiva se for usado em abuso (de volume ou de tempo), principalmente nas pessoas mais vulneráveis. Ou seja, usar um determinado modelo de fone não necessariamente isenta do risco de problemas. O grande diferencial para a saúde é o fone que tem abafador de ruído externo: ele anula parte dos sons do ambiente e permite que o volume dos fones não seja tão alto nem lesivo para os ouvidos. 
O mais indicado é o HEADPHONE (mais conhecido como modelo concha): ele envolve a orelha toda. É mais recomendado porque não agride tanto os ouvidos, permite melhor isolamento acústico, evidencia a percepção de graves e agudos e permite ouvir música com grande fidelidade em volume mais baixo.
O design já veda parte do ruído ambiente, mas certos modelos de headphone ainda têm o “noise cancelling”, que é a maior vantagem de um fone de ouvido: por meio de um microfone, ele capta a frequência do som externo e emite outra, invertida, de mesma intensidade, para que um som anule o outro.
É ideal para usar em locais barulhentos, como a rua ou o transporte público, pois isola parte dos ruídos externos.

Portando você pode sim, usar fones e apreciar suas músicas favoritas... com moderação e adequação, a gente aprova!!!

terça-feira, 17 de junho de 2014

Os ouvidos dos adolescentes: “massacrados” desde cedo pelas opções de lazer

Você conhece alguém que fica numa balada por mais de 3 horas seguidas, ouvindo sons que ultrapassam 100 decibéis? Alguém que adora ir a shows e ainda fica perto das caixas de som? Que ouve música com fone de ouvido num volume tão alto que os outros também conseguem ouvi-la?
Os hábitos modernos de lazer em ambientes barulhentos induziram um início mais precoce de problemas de ouvido, que muitas vezes são cumulativos e irreversíveis. Todo mundo já ouviu falar de perda auditiva ou até intuitivamente, sabe que excesso de barulho pode provocar perda auditiva com o tempo. O que poucos conhecem é o zumbido, o sintoma que chega antes e, por isso, serve de sinal de alerta da fragilidade do ouvido!
O zumbido é um som que as pessoas escutam no ouvido ou na cabeça, especialmente no silêncio. Pode parecer apito, chiado, cachoeira, cigarra, etc. Algumas pessoas só o ouvem se prestarem atenção; outras o percebem o dia todo. Ele já atinge 28 milhões de brasileiros de todas as idades. Se você nunca teve zumbido, faça uma simulação com vários exemplos que podem ser encontrados no http://www.institutoganzsanchez.com.br/sonszumbido.html. Imaginem esses sons presentes todos os dias, todos os minutos nos seus ouvidos. Tem gente que não aguenta e fica com insônia, além de dificuldade de se concentrar nos estudos ou no trabalho. Daí vem uma série de outros prejuízos, como irritabilidade, baixo rendimento escolar ou profissional, ansiedade e até depressão.

Pesquisa
Em 2007, publicamos uma pesquisa que estudou 506 crianças de 5 a 12 anos. Surpreendentemente percebemos que 37,7% deles tinham zumbido no ouvido e 19% se incomodavam com ele. Estes dados alarmantes nos motivaram a pesquisar o problema em adolescentes, considerando que gostam ainda mais das situações de lazer ruidoso de hoje em dia. 
Essa pesquisa foi bastante inédita no Brasil por dois motivos: primeiro por ter recebido o apoio do governo, através da FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo); segundo porque o zumbido desses adolescentes foi avaliado por dois métodos complementares: o questionário específico - que toda pesquisa faz - e pela medida do zumbido dentro da cabine acústica (acufenometria), ao invés de usar a audiometria isoladamente.
Para nossa surpresa, dos 170 alunos avaliados, 93 (54,7%) responderam que têm ou já tiveram zumbido nos últimos 12 meses. Deste número, 51,1% o associaram à saída de ambientes com música alta. Com esses dados, comprovamos que a prevalência de zumbido entre adolescentes é bem maior do que a população geral de vários países, onde pesquisas apontam para taxas entre 15 e 24%. Ainda mais interessante foi o fato que, apesar de tudo, o zumbido não incomoda a maioria dos adolescentes, fazendo com que eles não contem aos pais nem procurem ajuda médica. Isso se torna preocupante, afinal, quanto mais demorar o início de tratamento, mais agravará o problema.
Esses adolescentes estão mais sensíveis a lesões no futuro, por isso devem ser avaliados com mais frequência e mais cuidado. Por isso, precisam ser alertados que o ouvido não se regenera depois de traumas acústicos, gerando um inevitável grau de surdez. Essa situação preocupante merece múltiplas ações específicas ou campanhas de conscientização, incluindo os pais em casa e os educadores nas escolas, além dos próprios jovens.  Minimizar os problemas futuros depende de uma contínua educação sobre o risco de exposição a barulhos muito altos, mesmo que sejam em situações prazerosas.
Confira algumas dicas para proteger os ouvidos dos ruídos externos:
1.    Quando for a festas, shows ou bares ruidosos, não tenha vergonha de usar protetores de ouvido e faça intervalos periódicos (a cada 1 hora, saia 5 a 10 minutos). Com fones de ouvido, evite ultrapassar a metade da potência do seu aparelho ou usar mais que 2 horas seguidas. Isso faz MUITA diferença para a segurança dos seus ouvidos!
2. Alimente-se bem, de 4 a 6 vezes por dia, sem “pular refeição”. Evite excesso de cafeína, doces, álcool e nicotina.
3. Diminua o tempo de contato do celular com o ouvido, use mais o viva-voz ou fone e troque algumas ligações por mensagem de texto.
4. Estimule seus ouvidos com baixo volume de música suave ou outros sons agradáveis.
5. Evite automedicação, pois certos medicamentos podem causar zumbido.
6. Incorpore mais atividades de prazer na sua vida: atividade física, passeios, relacionamentos saudáveis, cinema etc. Momentos de felicidade ajudam a restaurar nossos os órgãos, inclusive os ouvidos.
7. Alivie seu estresse com atividades relaxantes, como yoga, meditação, Tai-Chi, Chi-Cong etc.

8. Informe-se! Acesse as palestras gratuitas do Grupo de Apoio Nacional a Pessoas com Zumbido (GANZ) na TV Zumbido www.tvzumbido.com.br