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terça-feira, 30 de setembro de 2014

Cerumen (cera) impactado: o que é? Quem pode me ajudar?

Se você ainda acha que cera é sujeira, vamos mudar sua ideia HOJE!!! Como é que a natureza perfeita ia colocar sujeira dentro do nosso ouvido, justo um órgão tão importante para a qualidade de vida? Não faz sentido nenhum, certo?
Pois é... a cera (ou cerúmen) é absolutamente normal e deve estar presente em quantidades normais no nosso conduto auditivo (canal do ouvido). Ela serve de proteção, pois mantém o pH estável e evita infecções pelos detritos ou micro-organismos da água, poeira e areia. O conduto auditivo tem, em média, 3cm de comprimento até chegar ao tímpano. Nele existem pelos que se movimentam lentamente para fora, tendendo a jogar a cera para fora (mas só aquela que já foi usada).
Por isso, o ouvido faz sua auto-limpeza sozinho, sem precisar da ajuda (e do perigo) da limpeza exagerada (sim, quem acha que a cera é sujeira tende a limpar sempre, como se fosse falta de higiene). Pense assim: sujeira a gente põe para fora; proteção, a gente quer dentro!



E quando ocorre a cera endurece e entope os ouvidos?
O cerume impactado (ou rolha de cera) acontece quando há excesso de produção de cera ou quando um cotonete empurra a cera para dentro, impedindo sua saída natural. Quanto mais tempo a cera já usada fica dentro do ouvido porque não consegue sair (vejam bem, porque o cotonete faz um “desserviço” ao ouvido!), mais ela fica dura, escura e impactada, podendo causar perda auditiva e zumbido.
Muitas pessoas acham que quando limpam a orelha com hastes flexíveis (cotonete) estão fazendo sua higiene, quando na verdade estão empurrando a cera para dentro do conduto auditivo externo. Além disso, são muito frequentes acidentes com as hastes flexíveis, que podem causar até perfuração timpânica trazendo perdas irreversíveis.
Para evitar que o cerume se acumule, limpe apenas a parte mais externa da orelha durante ou após o banho, sem introduzir nada no canal. Pode ser com a toalha ou lenço umedecido envolto no seu dedo mindinho.

Quais os sintomas?
A sensação que o cerume impactado causa é de ouvido entupido, perda de audição ou zumbido. Se perceber isso, procure um otorrino pra confirmar o diagnóstico e fazer uma lavagem de ouvido. Evite pingar remédios, a menos que tenha sido orientado!


segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Poluição sonora: os estragos vão além do ouvido!

Quem acha que a poluição sonora causa “apenas” uma perda auditiva está muuuito enganado! No mundo de hoje, conviver com barulho é algo comum para todas as idades. Muita gente até se acostuma e não sofre tanto quanto outros. Mesmo assim, alguns estragos podem acontecer aos poucos no organismo, mesmo nas pessoas que não se incomodam.

É claro que o ouvido é o principal “alvo” da poluição sonora, pois ele é a porta de entrada. E é claro que a perda de audição realmente pode acontecer! Só que, antes dela ser percebida, dois outros ALERTAS de problemas no ouvido acontecem precocemente e devem ser mais valorizados: o zumbido e a intolerância a sons.

Várias pesquisas comprovam que a poluição sonora afeta outras parte do corpo e pode causar irritabilidade, piora da qualidade do sono, doenças cardiovasculares e dificuldade de aprendizagem em crianças.

Por isso, a Organização Mundial de Saúde (OMS) já reconhece a poluição sonora e seus efeitos sobre crianças e adolescentes como um problema de saúde pública. Nessa idade, os mecanismos para lidar com o estresse são menos eficazes, portanto a irritabilidade, dificuldade de concentração e frustração têm efeito direto no desempenho escolar.

Nossa dica: dê uma avaliada nos locais que você mora e trabalha para ver se está exposto(a) a barulhos frequentes. Avalie também sua exposição a barulhos na vida social, pois os estragos podem aparecer mesmo em situações de lazer!


terça-feira, 19 de agosto de 2014

Você se irrita com sons que as outras pessoas não estão nem aí? Fique de olho: pode ser misofonia ou hiperacusia!


Há anos nós atendemos pacientes que se incomodam demais com determinados sons. Eu sempre pensei neles como pessoas hipersensíveis e confesso que tinha uma tendência de “colocar várias coisas numa cesta só”.

Como meus pacientes costumam vir procurar ajuda por causa do zumbido, essa hipersensibilidade auditiva ficava misturada com a queixa principal.



Mais recentemente, algo se clareou MUITO na minha mente à medida que fui prestando mais atenção aos detalhes da hipersensibilidade auditiva. Vamos lá:

1. Alguns se incomodam com o VOLUME dos sons (ex: TV, música, vozes das pessoas, restaurantes etc). Quando fazemos o LDL (loudness discomfort levels) – um exame complementar à audiometria para estimar qual o volume que os sons começam a incomodar cada pessoa -, os resultados costumam ser alterados. Essas pessoas podem perfeitamente conviver com os sons que os incomodam, desde que o volume deles esteja mais baixo. Isso descreve os casos puros de hiperacusia.

2. Alguns se incomodam com a PRESENÇA dos sons e sua repetição, mesmo que eles sejam baixos (ex: mastigação, respiração, deglutição de saliva ou alimentos, tosse, pigarro, assoar de nariz etc). Quando fazemos o LDL, os resultados costumam ser normais. Essas pessoas não conseguem conviver com os sons que os incomodam enquanto eles estiverem presentes e isso não tem relação com o volume. Além disso, parece existir uma conexão direta entre os sons que ouvem e uma reação incontrolável de raiva e irritabilidade. Isso descreve os casos puros de misofonia ou Síndrome da Sensibilidade Seletiva a Sons (4S).

Como a Medicina é algo muito variável, os pacientes costumam ter uma mistura de ambos os tipos de hipersensibilidade: alguns incomodam pelo volume, outros pela simples presença.
Anotem esses nomes na mente de vocês: esse assunto é mais comum do que pensamos e ainda vai dar muito o que falar. O programa Fantástico vai exibir uma reportagem sobre misofonia, a princípio no dia 24-08-14, com uma participação nossa para esclarecer a população e ajudar no incentivo de formas de tratamento. Esses pacientes têm grande restrição da vida familiar, social e profissional, levando ao isolamento, tanto pelos sons como pela falta de compreensão dos familiares e amigos.

Portanto se você tem ou conhece alguém que tenha um desses problemas, informe-o para que procure seu otorrino de confiança!!!

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

O zumbido, a perda auditiva e o processamento auditivo

Hoje uma das dica que demos na campanha #novembrolaranja foi da fono Mariana Guedes, com quem tivemos um papo muito gostoso em setembro, no GANZ, sobre processamento auditivo e a memória. Você pode assisti-lo clicando aqui, mas em resumo falamos da importância de manter a audição saudável para uma mente sã. A questão é que o zumbido ou a perda auditiva, além de atrapalharem a vida e autoestima das pessoas, também fazem com que nosso cérebro fique cada vez mais preguiçoso e, com isso, o risco de problemas como demências é maior.

O que acontece é que nosso ouvido, sem nosso cérebro, não é nada. Ou seja, podemos ouvir (receber o som), mas não processá-lo. É o caso de muita gente que diz que ouve, mas não entende. Muitas vezes é falta de atenção, mas pode ser um problema de processamento auditivo e, nesses casos, uma fono pode, além de recomendar um aparelho auditivo que facilite a compreensão, fazer uma reabilitação do processamento. São como exercícios físicos para o cérebro, que devem ser feitos com a orientação correta para dar certo.

Eu sei, você deve estar pensando que só velhinhos têm isso, né? Mas você está enganado(a). Descobrimos que "processamento auditivo" é uma das palavras que mais levam gente ao nosso site e, muitas dessas pessoas que nos procuram são mães de crianças e adolescentes que, por problemas de processamento auditivo, podem apresentar déficit de atenção, dificuldade de aprendizado, entre outros problemas. Faz tempo que problema auditivo (e o próprio zumbido) deixaram de ser coisa de idoso, então fique de olho. Informação e prevenção nunca são um excesso! ;)