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terça-feira, 8 de setembro de 2015

Zumbido é coisa dos tempos modernos?


De  jeito nenhum! Zumbido é um assunto muito, muito antigo. Acreditem se quiserem: como tudo que é difícil de ser compreendido, ele ficou muito tempo sendo interpretado com conotações de magia.
O papiro de Ebers, do século XVI a.C., cita o zumbido como “um ouvido enfeitiçado” e o tratamento era “tirar o feitiço” com óleos no ouvido. Entre os assírios, por volta de 700 a.C., era comum a crença de que “se a mão de um fantasma toca um homem, os seus ouvidos apitam”.
Só na Idade Média é que o zumbido começou a ser tratado de modo mais individualizado. No século XX, vários passos importantes contribuíram para o avanço do conhecimento sobre o zumbido: a criação dos eventos científicos em várias partes do mundo, a formação de algumas associações sem fins lucrativos em diversos países, o franco aumento das publicações científicas e leigas, etc. Portanto, recentemente, mais profissionais estão se sensibilizando e investindo no conhecimento do zumbido para tratá-lo adequadamente e melhorar a qualidade de vida do paciente. Isso por si só já significa uma grande esperança!
Outra coisa interessante: você sabia que muitas pessoas "normais" podem perceber sons em seus ouvidos quando estão no silêncio? Pois é! Em 1953, uma pesquisa simples realizada na Inglaterra mostrou que muitas pessoas saudáveis perceberam sons quando permaneceram alguns minutos dentro de uma cabine à prova de som, prestando atenção em seus ouvidos. Na verdade, cada pessoa que entrava na câmara tinha a ilusão de que ouviria algum som dado pelos pesquisadores. Só que eles permaneceram no silêncio o tempo todo, apenas prestando atenção a seus ouvidos! Para surpresa de todos, 94% dessas pessoas perceberam sons compatíveis com zumbido durante o período de silêncio…
Nós reproduzimos essa pesquisa aqui no Brasil em 2007, como projeto de doutorado de uma aluna, a Keila. Usando um pouco mais de rigor científico, vimos que cerca de 70% de pessoas saudáveis realmente percebe sons nos ouvidos quando está em silêncio e com a atenção seletiva voltada para os ouvidos.
Nessas duas experiências, há uma lição muito interessante: muitas pessoas percebem zumbido em silêncio e, portanto, este é um comportamento normal nessas condições! Sabe por quê? No silêncio, a via auditiva está temporariamente privada de receber sons, e como o zumbido é o único som presente nessa situação, o cérebro avidamente presta atenção nele.
Isso simplesmente demonstra que nossa via auditiva funciona o tempo todo, mesmo quando não há sons externos para serem ouvidos. Resumindo, algumas pessoas têm a capacidade de perceber sons de baixíssimo volume dentro de seus ouvidos quando estão no silêncio, pois esses sons representam o próprio funcionamento da via auditiva. Portanto, não há nada de errado nisso e alguns até o chamam de ‘som do silêncio’!
Se você é uma dessas pessoas que:
1. só percebe um zumbido no silêncio do seu quarto, poucos minutos antes de dormir;
2. já fez avaliação médica que não mostrou perda auditiva ou nada mais que precise de tratamento;
3. não tem nenhum incômodo com seu zumbido;
Então, não se preocupe tanto… isso PODE fazer parte do que é considerado normal!
Para aqueles que se incomodam com o zumbido na hora de dormir, já dá para perceber que o silêncio e a atenção na via auditiva são dois grandes inimigos dessas pessoas, certo? 
Assista os vídeos da TV Zumbido (www.tvzumbido.com.br). Lá tem conhecimento para todos!!!

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Brinquedos sonoros podem prejudicar a audição do seu bebê

Muitos pediatras defendem a estimulação precoce dos bebês. Uma forma de fazê-la é deixar o bebê em contato com objetos diferentes para que ele possa “se divertir” enquanto está acordado. A visão é estimulada pelas cores desses objetos, o tato pelos diferentes tecidos e a audição, pelos sons emitidos. Por isso, as mamães adoram enfeitar o berço dos bebês com brinquedos sonoros. É um modo de entretê-los e acalmá-los..., MAS precisamos prestar atenção no nível de ruído!

Os ouvidos dos bebês são sensíveis e estão em processo de maturação. Alguns brinquedos sonoros emitem sons particularmente agudos e altos. Lembro bem da fase que minhas filhas eram bebês: eu até colocava uma fita adesiva em cima do microfone de alguns dos presentes sonoros que elas ganhavam para garantir que não ultrapassem 80 decibéis. Hoje em dia, com os smartphones, é fácil baixar um aplicativo que ajude a medir o nível de decibéis dos brinquedos e dos sons que chegam ao berço dos nenês.

A Organização Mundial da Saúde anuncia que um barulho de 70 decibéis já pode ser desagradável para alguns ouvidos, embora muitos não se incomodem nesse volume. Porém, acima de 85 decibéis já começa a haver risco de lesão do ouvido, mesmo para quem não se incomoda com esse volume mais alto.

Por isso, o contato frequente com brinquedos barulhentos pode lesar os ouvidos de crianças de 0 a 3 anos, de modo irreversível. Quando isso acontece, pode prejudicar também o desenvolvimento da fala e o aprendizado de um modo geral.

Percebeu o tamaaaaaanho do problema?? Quando for comprar um brinquedo para o seu filho, confira se ele tem o selo de qualidade do Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial) e da Abrinq (Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos). Esse selo garante que os brinquedos não trazem risco à segurança e saúde da criança, pois passaram por diversos testes ante de chegar às prateleiras.


terça-feira, 19 de agosto de 2014

Você se irrita com sons que as outras pessoas não estão nem aí? Fique de olho: pode ser misofonia ou hiperacusia!


Há anos nós atendemos pacientes que se incomodam demais com determinados sons. Eu sempre pensei neles como pessoas hipersensíveis e confesso que tinha uma tendência de “colocar várias coisas numa cesta só”.

Como meus pacientes costumam vir procurar ajuda por causa do zumbido, essa hipersensibilidade auditiva ficava misturada com a queixa principal.



Mais recentemente, algo se clareou MUITO na minha mente à medida que fui prestando mais atenção aos detalhes da hipersensibilidade auditiva. Vamos lá:

1. Alguns se incomodam com o VOLUME dos sons (ex: TV, música, vozes das pessoas, restaurantes etc). Quando fazemos o LDL (loudness discomfort levels) – um exame complementar à audiometria para estimar qual o volume que os sons começam a incomodar cada pessoa -, os resultados costumam ser alterados. Essas pessoas podem perfeitamente conviver com os sons que os incomodam, desde que o volume deles esteja mais baixo. Isso descreve os casos puros de hiperacusia.

2. Alguns se incomodam com a PRESENÇA dos sons e sua repetição, mesmo que eles sejam baixos (ex: mastigação, respiração, deglutição de saliva ou alimentos, tosse, pigarro, assoar de nariz etc). Quando fazemos o LDL, os resultados costumam ser normais. Essas pessoas não conseguem conviver com os sons que os incomodam enquanto eles estiverem presentes e isso não tem relação com o volume. Além disso, parece existir uma conexão direta entre os sons que ouvem e uma reação incontrolável de raiva e irritabilidade. Isso descreve os casos puros de misofonia ou Síndrome da Sensibilidade Seletiva a Sons (4S).

Como a Medicina é algo muito variável, os pacientes costumam ter uma mistura de ambos os tipos de hipersensibilidade: alguns incomodam pelo volume, outros pela simples presença.
Anotem esses nomes na mente de vocês: esse assunto é mais comum do que pensamos e ainda vai dar muito o que falar. O programa Fantástico vai exibir uma reportagem sobre misofonia, a princípio no dia 24-08-14, com uma participação nossa para esclarecer a população e ajudar no incentivo de formas de tratamento. Esses pacientes têm grande restrição da vida familiar, social e profissional, levando ao isolamento, tanto pelos sons como pela falta de compreensão dos familiares e amigos.

Portanto se você tem ou conhece alguém que tenha um desses problemas, informe-o para que procure seu otorrino de confiança!!!

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Como proteger os pets dos barulhos da Copa?

A Copa do Mundo está na reta final, mas as festas continuam bombando, literalmente!! A cada gol, cada vitória, vários fogos de artifícios e rojões são lançados. Os humanos adoram isso! Mas... e os animais de estimação?Donos de uma grande sensibilidade auditiva (até 4 vezes maior que a nossa), os cães ficam extremamente incomodados e assustados com esses barulhos altos e abruptos.Proteja seus peta!

- coloque tufos de algodão nas duas orelhas dele durante as partidas

- tente mantê-lo em local um pouco mais afastado da bagunça; se não der, mantenha-o perto de você e abrace-o. Sentir essa segurança vai ajudar a minimizar o medo, mas não o desconforto com os sons.

- em casos extremos, veja com o veterinário se ele pode medicar. Essências homeopáticas e florais também ajudam a acalmar os cães durante o barulho das comemorações.