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terça-feira, 19 de agosto de 2014

Você se irrita com sons que as outras pessoas não estão nem aí? Fique de olho: pode ser misofonia ou hiperacusia!


Há anos nós atendemos pacientes que se incomodam demais com determinados sons. Eu sempre pensei neles como pessoas hipersensíveis e confesso que tinha uma tendência de “colocar várias coisas numa cesta só”.

Como meus pacientes costumam vir procurar ajuda por causa do zumbido, essa hipersensibilidade auditiva ficava misturada com a queixa principal.



Mais recentemente, algo se clareou MUITO na minha mente à medida que fui prestando mais atenção aos detalhes da hipersensibilidade auditiva. Vamos lá:

1. Alguns se incomodam com o VOLUME dos sons (ex: TV, música, vozes das pessoas, restaurantes etc). Quando fazemos o LDL (loudness discomfort levels) – um exame complementar à audiometria para estimar qual o volume que os sons começam a incomodar cada pessoa -, os resultados costumam ser alterados. Essas pessoas podem perfeitamente conviver com os sons que os incomodam, desde que o volume deles esteja mais baixo. Isso descreve os casos puros de hiperacusia.

2. Alguns se incomodam com a PRESENÇA dos sons e sua repetição, mesmo que eles sejam baixos (ex: mastigação, respiração, deglutição de saliva ou alimentos, tosse, pigarro, assoar de nariz etc). Quando fazemos o LDL, os resultados costumam ser normais. Essas pessoas não conseguem conviver com os sons que os incomodam enquanto eles estiverem presentes e isso não tem relação com o volume. Além disso, parece existir uma conexão direta entre os sons que ouvem e uma reação incontrolável de raiva e irritabilidade. Isso descreve os casos puros de misofonia ou Síndrome da Sensibilidade Seletiva a Sons (4S).

Como a Medicina é algo muito variável, os pacientes costumam ter uma mistura de ambos os tipos de hipersensibilidade: alguns incomodam pelo volume, outros pela simples presença.
Anotem esses nomes na mente de vocês: esse assunto é mais comum do que pensamos e ainda vai dar muito o que falar. O programa Fantástico vai exibir uma reportagem sobre misofonia, a princípio no dia 24-08-14, com uma participação nossa para esclarecer a população e ajudar no incentivo de formas de tratamento. Esses pacientes têm grande restrição da vida familiar, social e profissional, levando ao isolamento, tanto pelos sons como pela falta de compreensão dos familiares e amigos.

Portanto se você tem ou conhece alguém que tenha um desses problemas, informe-o para que procure seu otorrino de confiança!!!

quinta-feira, 24 de julho de 2014

60% dos calouros universitários têm algum tipo de perda de audição

Entrar na faculdade é um marco enorme em nossas vidas! Eu me lembro muito bem dessa conquista de-li-ci-o-sa e merecida, depois de tanta dedicação aos estudos! Sem falar na vida social, nos vários “novos amigos” e, claro, as famosas festas universitárias.

É a mais pura verdade que alguns “trotes” para os calouros são um exagero e acabam gerando “efeitos colaterais”. Só que as festas dessa moçada alegre -  que nem sempre tem maturidade para entender os riscos - também podem prejudicar muito os ouvidos.

Fiquei “pasma” de saber que até 60% dos calouros universitários apresentam algum tipo de perda de audição! Eu não esperava que fosse tanto assim...  

Vivemos em uma época com muitos fatores que causam trauma acústico (lesão pelo som), mas nem sempre percebemos o quanto os sons altos podem lesar as células ciliadas do ouvido interno. Só que algumas pessoas têm essas células ainda mais sensíveis que o normal, por isso, ficam mais vulneráveis quando escutam música alta, seja nas festas e baladas, seja no fone de ouvido. 

Então, calouros, vamos aproveitar as festas com cuidado, para que terminem a faculdade tão bem quanto começaram! Lembrem-se dos protetores de ouvido e dos intervalos de 10 minutos a cada hora de balada!