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quarta-feira, 17 de maio de 2017

Mãe... EMOÇÕES, CORAÇÃO e OUVIDOS!


Eu nunca pensei em ter filhos. Achava que o meu amor pelo trabalho e pelo meu companheiro da época já eram suficientes para aquecer totalmente o meu coração.

Resisti bastante para sair da zona de conforto que eu estava, afinal ela tinha sido conquistada com muito esforço.
Mas chegou a hora de tentar, mesmo com muito medo de perder o que eu já tinha por não dar conta de tudo que viria pela frente.

Hoje, mãe de duas filhotas lindas, vejo meu "engano" claramente: se eu achava que conhecia o amor antes disso, eu estava re-don-da-men-te enganada! Depois de ser mãe, passei a me perguntar COMO eu pude pensar um dia em não conhecer esse privilégio? Em que planeta eu estava quando pensava esse absurdo?
Acima de tudo, POR QUE eu tive tanto medo de ter filhos, se eu gosto de desafios? 

Não tenho certeza das respostas, mas mesmo assim, sou MUITO grata ao Universo por ter tido essas duas oportunidades maravilhosas. 

Como especialista em ouvido, quero passar para vocês algumas informações preciosas. Desde o início da gestação, seu filho já pode ser emocionalmente influenciado só porque já tem OUVIDOS funcionantes. Não é legal? 
1) Ele pode ouvir sua voz de mãe feliz porque está grávida. Ouvindo, ele sente...
2) Ele pode ouvir as músicas calmas que você coloca especialmente para ele enquanto passa a mão na própria barriga e fala com ele. Ouvindo, ele sente...
3) Ele pode ouvir as conversas que você tem com o pai sobre como vocês estão esperançosos com a chegada dele e a vida nova. Ouvindo, ele sente...
Mas...
4) Ele também pode ouvir quando você fala coisas que não são as melhores que poderiam sair de sua boca. Ouvindo, ele sente...

Percebeu a importância?

Portanto, dê valor ao fato de ser mãe e cuide bem do que os ouvidos dele vão ouvir de você, dentro ou fora de sua barriga. 

Os ouvidos são muito importantes na nossa vida, desde o comecinho, pois o conteúdo e a forma pela qual os sons chegam gera emoções diversificadas que serão a base do perfil de cada pessoa!
Desejamos um Dia das Mães inesquecível, assim como essa foto de um bebê que abraça a mãe assim que nasce: um verdadeiro privilégio!

terça-feira, 3 de maio de 2016

Criança tem zumbido?

Querem saber se criança tem zumbido? Siiiiiiiim! Se vocês nunca viram uma delas, provavelmente vão duvidar... mas vamos aos argumentos:


A) Tive a oportunidade de orientar o doutorado da Dra Cláudia Coelho que, junto com a fono Sandra Weber, testaram 506 crianças de 5 a 12 anos, em escolas públicas ou privadas no interior do Rio Grande do Sul. Sabendo que crianças têm tendência de gerar falsos positivos para agradar os examinadores, nosso questionário tinha 3 critérios de rigor para considerarmos que uma criança da pesquisa tinha zumbido. Ela tinha que: 1) responder SIM para a pergunta "você ouve algum barulhinho nos seus ouvidos quando está tudo em silêncio?"; 2) saber descrever COMO era o som; 3) saber descrever ONDE o ouvia (lado do ouvido ou cabeça). Ficamos surpresas de constatar que 37% dessas 506 crianças tinham a percepção de zumbido (Coelho CCB, Sanchez TG, Tyler R. Tinnitus in children and associated risk factors. Prog Brain Res. 2007;166:179-91).

B) Depois dessa experiência, meu pensamento era "se as crianças têm mais zumbido do que o percentual obtido nas pesquisas de prevalência na população geral - que nem incluem crianças! - então, os adolescentes também devem ter!". Lá fomos nós buscar essa resposta... na pesquisa com 170 adolescentes de 12 a 17 anos, vimos que: 1) usando um questionário como instrumento para saber a resposta à pergunta "você tem ou teve zumbido nos últimos 12 meses?", constatamos que 54,7% deles responderam SIM, além de terem esclarecido como era o som, onde o percebiam (ouvidos ou cabeça) e em que situações ele aparecia; 2) quando colocados dentro da cabina acústica para medir a audição, 28,8% deles também foram capazes de fazer acufenometria (medida da frequência e intensidade do zumbido) porque o estavam percebendo naquele preciso momento! Resumindo: mesmo considerando apenas a taxa de zumbido obtida dentro da cabina (que foi o trunfo desse trabalho), DE NOVO vimos uma prevalência de zumbido muito maior do que a relatada nos estudos com a população geral. Esse trabalho completo até foi dividido em duas publicações: Sanchez TG, Oliveira JC, Kii MA, Freire K, Cota J, Moraes FV. Tinnitus in adolescents: the start of the vulnerability of the auditory pathways. Codas. 2015;27(1):5-12 e Sanchez TG, Moraes FV, Casseb J, Cota J, Freire K, Roberts LE. Tinnitus is associated with reduced sound level tolerance in adolescents with normal audiograms and otoacoustic emissions. Sci Reports, no prelo).

Então, se zumbido é mais comum do que o esperado em crianças e adolescentes, por que eles não chegam aos nossos consultórios? Simples! Ficou claro que eles não têm incômodo e nem contam aos pais - geralmente porque acham que “é normal” ou que “todo mundo tem” ou porque dormem com a TV ligada. Com isso, existe uma habituação/adaptação espontânea ao zumbido nessas faixas etárias, gerando menos repercussão negativa na qualidade de vida (esse é o lado bom da coisa ruim). Por outro lado, deixar de investigar a tratar precocemente são os fatores primordiais para incentivar a cronicidade, tornando uma boa resposta a um eventual tratamento potencialmente mais difícil no futuro.

Para finalizar, faço um convite a vocês: que tal incluir uma perguntinha básica na anamnese de crianças ou adolescentes: “Você ouve algum som nos seus ouvidos/cabeça quando está tudo em silêncio?”. Isso é válido para otorrinos, fonos, pediatras, hebiatras, psicólogos, etc. Eles conseguem ser bem precisos nas respostas e certamente avançaríamos mais nesse tópico intrigante.





segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Brinquedos sonoros podem prejudicar a audição do seu bebê

Muitos pediatras defendem a estimulação precoce dos bebês. Uma forma de fazê-la é deixar o bebê em contato com objetos diferentes para que ele possa “se divertir” enquanto está acordado. A visão é estimulada pelas cores desses objetos, o tato pelos diferentes tecidos e a audição, pelos sons emitidos. Por isso, as mamães adoram enfeitar o berço dos bebês com brinquedos sonoros. É um modo de entretê-los e acalmá-los..., MAS precisamos prestar atenção no nível de ruído!

Os ouvidos dos bebês são sensíveis e estão em processo de maturação. Alguns brinquedos sonoros emitem sons particularmente agudos e altos. Lembro bem da fase que minhas filhas eram bebês: eu até colocava uma fita adesiva em cima do microfone de alguns dos presentes sonoros que elas ganhavam para garantir que não ultrapassem 80 decibéis. Hoje em dia, com os smartphones, é fácil baixar um aplicativo que ajude a medir o nível de decibéis dos brinquedos e dos sons que chegam ao berço dos nenês.

A Organização Mundial da Saúde anuncia que um barulho de 70 decibéis já pode ser desagradável para alguns ouvidos, embora muitos não se incomodem nesse volume. Porém, acima de 85 decibéis já começa a haver risco de lesão do ouvido, mesmo para quem não se incomoda com esse volume mais alto.

Por isso, o contato frequente com brinquedos barulhentos pode lesar os ouvidos de crianças de 0 a 3 anos, de modo irreversível. Quando isso acontece, pode prejudicar também o desenvolvimento da fala e o aprendizado de um modo geral.

Percebeu o tamaaaaaanho do problema?? Quando for comprar um brinquedo para o seu filho, confira se ele tem o selo de qualidade do Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial) e da Abrinq (Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos). Esse selo garante que os brinquedos não trazem risco à segurança e saúde da criança, pois passaram por diversos testes ante de chegar às prateleiras.