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terça-feira, 11 de março de 2014

E tem mais caso de sucesso no tratamento do zumbido!

A Rachel foi considerada um caso de cura e deu entrevista para o programa Bem Estar (Globo, 20-11-2013) para motivar outras pessoas a procurarem tratamento precocemente. Esperamos que esse exemplo realmente possa alavancar outras histórias gratificantes pelo Brasil!

Dessa vez, resumo aqui o que publicamos na edição de fevereiro de 2014 da Revista Audiology Infos, dirigida a otorrinos e fonoaudiólogos. É comprido, mas vale a pena porque mostra nossa filosofia de pensamento.

No dia 12-08-2013, a Rachel, uma arquiteta de 38 anos, contou que estava com zumbido há 40 dias,do lado direito, como um motor, que havia se tornado constante. Além disso, também percebeu: a) uma perda auditiva súbita à direita, que não melhorou neste período (40 dias); b) sensação de ouvido tampado; c) hipersensibilidade auditiva (ou intolerância a sons), como o toque e a fala ao celular, além das vozes das pessoas, que pareciam distorcidas ou metalizadas.

Em relação às dores, ela tinha: 1. otalgia (dor de ouvido) bilateral recente e esporádica; 2. enxaqueca antiga com aura, que já havia melhorado nos últimos 6 meses com medicação; 3. cervicalgia (dor no pescoço) irradiada para ambos os ombros, já em processo de melhora após início da prática de pilates. Ela não se queixou de alterações específicas da articulação temporomandibular, como dor, estalos ou crepitação durante movimento da ATM, nem apertamento ou bruxismo diurno ou noturno.

Em relação aos hábitos alimentares, a Rachel fazia ingestão fracionada de alimentos, sem abuso de cafeína, porém consumindo doces quase diariamente. Em relação a outros hábitos, não foi constatada exposição prejudicial a ruído, a medicamentos ototóxicos ou a ondas eletromagnéticas.

O exame físico otorrinolaringológico era normal, mas ela sentiu dor à palpação da ATM à direita e dor sem irradiação na palpação de ambos os esternocleidomastoideos (pontos dolorosos). A paciente já trouxe na 1a consulta vários exames normais. Sua audiometria com acufenometria e limiar de desconforto a sons mostrou:
  1. Audição normal em ambos os ouvidos até 16.000Hz, mas com assimetria após 6.000Hz (pior à direita)
  2.  Zumbido na frequência de 125Hz à direita, com intensidade de 17dBNS
  3.  Limiares de desconforto a sons entre 80 e 100 bilaterais



Considerando-se todo o conjunto de informações, fizemos as seguintes suspeitas para o zumbido:

  • metabólico (pela ingestão frequente de doces, pelo ouvido tampado e pelo antecedente familiar de diabetes)
  •  somatossensorial (pela dor no ouvido, no pescoço, na cabeça e na palpação da ATM e dos esternocleidomastoideos).
  •  emocional (pela depressão antiga, embora já estivesse em tratamento específico)


Assim, pela lógica, sugerimos na primeira consulta: restrição de doces, avaliação odontológica e, se necessário, uso de medicação específica (não cito aqui pelo risco de automedicação) por 30 dias.

No dia 13-09-2013, Rachel contou sua dentista não havia encontrado problemas. Assim, junto à restrição de doces que havia iniciado logo após a consulta, iniciou o uso da medicação que eu sugeri, com melhora importante nos 10 primeiros dias de associação da medicação com a dieta. Entretanto, interrompeu-a para fazer uma viagem e voltou a piorar do zumbido. Decidiu reiniciar o uso e notou melhora gradativa. Já estava sem percebê-lo há 1 semana. Para verificar se o zumbido estava realmente ausente ou apenas momentaneamente mascarado pelos sons ambientais, colocamo-la dentro da cabina audiométrica. Após dois minutos, ela realmente não teve nenhuma sensação compatível com zumbido. Optamos por manter a medicação por mais 2 semanas, retirando-a para obsevar possível recorrência.

No dia 04-11-2013, Raquel voltou para o segundo acompanhamento, referindo abolição do zumbido há cerca de 2 meses. Por conta própria, já havia interrompido a medicação há 1 mês e, em todo esse período, havia tido apenas dois episódios de recorrência do zumbido, com duração inferior a 5 minutos (zumbido fisiológico). Também notou melhora da intolerância a sons para o nível habitual (“sempre fui sensível com sons”) e melhora da distorção das vozes, sem piora após interrupção da medicação. A audiometria realizada nesse dia mostrou-se normal em ambos os ouvidos até 16.000Hz, com recuperação da assimetria que havia no primeiro exame a partir de 6.000Hz. Não foi identificado nenhum zumbido no silêncio da cabina.


Comentários de interesse do caso:

  1. Preferimos construir mais de uma hipótese diagnóstica (HD) em cada caso, pois isso amplia a possibilidade de estratégias terapêuticas. Tais HD dependem de um conjunto de informações obtidas por anamnese detalhada, exame físico e exames complementares. Em 100% dos casos solicitamos avaliação audiológica e exames de sangue. Quando necessário, evoluímos para exames eletrofisiológicos ou de imagem, ou ainda, para avaliações multidisciplinares.
  2. Apesar dos limiares audiométricos estarem todos normais na primeira audiometria, uma interpretação mais cuidadosa evidencia a assimetria existente entre ambas as orelhas, com prejuízo do lado direito, compatível com a anamnese de zumbido e sensação de distorção de sons à direita. Essa visualização foi facilitada pela extensão da audiometria a mais 6 frequências altas (9, 10, 11.2, 12.5, 14 e 16kHz), porém já daria para ser vista na audiometria convencional em 6 e 8kHz. Assim, a presença do zumbido deve fazer o otorrinolaringologista e o fonoaudiólogo valorizarem mais as eventuais alterações audiométricas mínimas.
  3.  A avaliação odontológica foi pedida para checar problemas dessa área, mas a dentista não creditou os sintomas de ouvido a isso. Se sua opinião tivesse sido diferente, eu teria concordado em observar primeiro o efeito do tratamento sem a medicação.
  4.  ACREDITAR que pacientes com zumbido de bom prognóstico podem aparecer em nossos consultórios é fundamental para que possamos criar estratégias personalizadas de tratamento com alguma possibilidade de cura ou de melhora significativa. O papel do médico otorrinolaringologista nessa fase é vital. Só quando isso não ocorre é que deveríamos indicar opções de tratamento que visam “apenas” melhorar a qualidade de vida do paciente.

Profa Dra Tanit Ganz Sanchez
Professora Associada da Disciplina de ORL – FMUSP
Diretora do Instituto Ganz Sanchez
Presidente da Associação de Pesquisa Interdisciplinar e Divulgação do Zumbido - APIDIZ

domingo, 9 de março de 2014

Obaaa, hoje é dia de mostrar mais um caso legal de zumbido!

O Sr Washington nos autorizou a fazer isso. Ele tem 60 anos, mora em Goiânia e veio para São Paulo para nossa consulta. Contou que tem zumbido parecido com grilo desde a infância (!), mas sempre conviveu com ele. O motivo da consulta (maio 2013) foi uma piora que começou há 5 anos, aos poucos, sem motivo aparente.

Por causa do longo tempo de existência, não conseguimos ter certeza da causa do zumbido naquela época, mas vendo a audiometria atual, suspeitamos que a piora mais recente poderia ser por causa da presbiacusia (perda auditiva natural da idade). Fizemos também a medida do zumbido (vejam na figura). Como ele não percebia a perda auditiva, optamos por medicá-lo.

Na consulta de agosto 2013, ele não tinha percebido diferença nenhuma no zumbido, mas a medida mostrou uma melhora. Optei por insistir um pouco e aumentar a dose da medicação.

Na consulta de novembro 2013, foi a primeira vez que ele percebeu um pouco de melhora. Depois de ver o resultado do novo exame, fiquei ainda mais animada!

Agora, em fevereiro de 2014, ele voltou mais uma vez, sorrindo, dizendo que estava se sentindo ainda melhor. Ahhh, como isso soa bem para os meus ouvidos!!! E não é que o exame constatou exatamente isso?


Ainda temos mais trabalho para fazer, mas já foi gostoso demais ver um caso como esse melhorar dessa maneira, por isso resolvi compartilhar com vocês!!! Entendam as coisas que me chamaram atenção no caso dele:
  • Zumbido com quase 50 anos de existência, sem causa definida. Em geral, não são casos tão bons para melhorar com medicação, mas ele está indo muito bem por enquanto.
  • O volume inicial do zumbido era bem alto: 17dBNS à direita e 15 dBNS à esquerda (o mais comum é entre 5 e 10, como realçado na figura). Com o tempo, foi melhorando e hoje está em 6 dBNS à direita e 7 dBNS à esquerda. 
  • Ele demorou para perceber alguma melhora, mas o exame comprovou que ela já vinha acontecendo, como fruto do uso correto. #ficaadica para que as pessoas não desanimem antes da hora
  • Ele é uma pessoa de bem com a vida, o que provavelmente faz toooda a diferença!


Bem, nossa missão é mudar a cabeça das pessoas e fazer com que elas acreditem – como eu acredito piamente – que várias coisas podem ser feitas para o controle do zumbido. A cura é o sonho de consumo de todo mundo e significa uma melhora de 100%, mas temos que valorizar as melhoras parciais que vão acontecendo ao longo desse caminho!


quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Vamos recapitular?


Falamos muito sobre zumbido esse ano, né? Por via das dúvidas, vamos dar uma recapitulada?

Quando fomos no Programa Bem Estar da última vez eles fizeram uma ilustração bem bacana. Então vamos lá:


Entre as causas estão a poluição sonora (principalmente a que nós mesmos provocamos, usando som alto ou exagerando na balada sem tampões e descanço); a alimentação, quando é rica em açúcar, cafeína ou gordura; o estresse; o envelhecimento, já que a perda auditiva também pode causar zumbido; o cigarro (que faz mal pra tudoooo); excesso de cera e, em casos mais raros, tumores.

Prevení-lo é muitooo mais fácil que remediá-lo. Usar tampões ou protetores quando for ficar em ambientes com muitos ruídos; descansar o ouvido, dormindo sem música ou televisão; manter o volume dos aparelhos de som e do fone de ouvido na metade da capacidade; só tomar até 3 xícares de café por dia; evitar gorduras e frituras; não pular refeições para não ficar muito tempo em jejum são coisas ao alcance de todos!

E ainda tem aquelas nossas dicas clássicas, que quase já viraram mantras:

1-     Zumbido tem tratamento, sim!
2-     Quanto mais cedo cuidar, maior a chance de melhora significativa ou até de cura (sabiam que o Instituto Ganz Sanchez está pesquisando casos de cura junto com a Itália?).
3-     Zumbido não é normal, mesmo depois da balada ou show. Mesmo que dure pouco, é um dos primeiros sinais de que seus ouvidos são vulneráveis a som alto.
4-     Não aceite “você terá que se acostumar com o zumbido” como resposta. Mesmo que ele não suma totalmente, pode melhorar parcialmente e isso certamente vai ajudar você.
5-     Procure um profissional que se importe com o zumbido; felizmente, há cada vez mais deles por aí!

Nem um de nós az milagres, pelo menos por enquanto J Mas enquanto tiver gente pensando que zumbido não tem tratamento nenhum, falaremos incansavelmente sobre tudo o que já conseguimos ampliar os horizontes nesses quase 20 anos de estudo e muito trabalho!





segunda-feira, 18 de novembro de 2013

O zumbido, a perda auditiva e o processamento auditivo

Hoje uma das dica que demos na campanha #novembrolaranja foi da fono Mariana Guedes, com quem tivemos um papo muito gostoso em setembro, no GANZ, sobre processamento auditivo e a memória. Você pode assisti-lo clicando aqui, mas em resumo falamos da importância de manter a audição saudável para uma mente sã. A questão é que o zumbido ou a perda auditiva, além de atrapalharem a vida e autoestima das pessoas, também fazem com que nosso cérebro fique cada vez mais preguiçoso e, com isso, o risco de problemas como demências é maior.

O que acontece é que nosso ouvido, sem nosso cérebro, não é nada. Ou seja, podemos ouvir (receber o som), mas não processá-lo. É o caso de muita gente que diz que ouve, mas não entende. Muitas vezes é falta de atenção, mas pode ser um problema de processamento auditivo e, nesses casos, uma fono pode, além de recomendar um aparelho auditivo que facilite a compreensão, fazer uma reabilitação do processamento. São como exercícios físicos para o cérebro, que devem ser feitos com a orientação correta para dar certo.

Eu sei, você deve estar pensando que só velhinhos têm isso, né? Mas você está enganado(a). Descobrimos que "processamento auditivo" é uma das palavras que mais levam gente ao nosso site e, muitas dessas pessoas que nos procuram são mães de crianças e adolescentes que, por problemas de processamento auditivo, podem apresentar déficit de atenção, dificuldade de aprendizado, entre outros problemas. Faz tempo que problema auditivo (e o próprio zumbido) deixaram de ser coisa de idoso, então fique de olho. Informação e prevenção nunca são um excesso! ;)



domingo, 17 de novembro de 2013

A importância do diagnóstico e tratamento precoce

Se tem uma coisa que qualquer médico, de qualquer especialidade concorda e que todas as campanhas pregam é o diagnóstico precoce.

Quanto antes detecta-se uma doença, antes inicia-se o tratamento e maiores as chances de cura. Isso acontece até para cânceres, porque não seria aplicável ao zumbido? Já dizia nossa avó, é melhor prevenir que remediar. Além de evitar o zumbido com as nossas dicas (não ouvir música alta, maneirar no fone, controlar a alimentação e ser felizzzz), se ele insistir em aparecer, não aguarde para procurar um especialista.
Não espere ele passar sozinho, não se habitue, como muita gente sugere.

Corra atrás do seu direito de viver melhor. Combinado?